O QUE TRAZEMOS NO CORAÇÃO | Paulus Editora

O Domingo
O QUE TRAZEMOS NO CORAÇÃO

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A quarta-feira de Cinzas abre a Quaresma, tempo que nos convida à revisão de vida e à conversão, como preparação à Páscoa do Senhor. Conversão que, na prática, se traduz com ações de justiça.

Para o povo da Bíblia, as três principais obras de justiça eram a esmola, a oração e o jejum. Mas o ensinamento de Jesus aos discípulos chama a atenção para a hipocrisia que pode se esconder nas práticas de piedade.

A hipocrisia é a máscara que esconde, nas práticas religiosas, alguém preocupado somente em aparecer. Preocupado não com a busca da justiça, mas com sua vaidade. Pois, mostrando-se como quem não é, o hipócrita quer esconder quem realmente é.

E então as palavras de Jesus iluminam nosso caminho, fazendo-nos pensar sobre o que trazemos no coração.

Dar esmola, mais que dar uns trocados aos necessitados para aliviar a consciência, é solidarizar-se com os que não têm condições de vida digna. Quando nos solidarizamos com ações concretas pelo bem dos que mais sofrem, mostramos a Deus que nossa esmola é, de fato, expressão de um coração compassivo e solidário.

A oração ensinada por Jesus só tem sentido se feita com humildade diante de Deus e dos outros. Rezar é confiar em Deus, que nos atende quando rezamos em nome de Jesus, quando pedimos coisas boas, como o Espírito Santo, o perdão e o bem dos outros. É assim que mostramos a Deus que nossa oração é expressão de um coração necessitado e confiante.

O jejum, privação do alimento, traz consigo a denúncia profética de um mundo injusto, onde uns poucos têm tanto, enquanto muitos morrem de fome. Quando nos preocupamos com o outro e conseguimos nos privar de algo por ele, mostramos a Deus que nosso jejum é expressão de um coração sóbrio e generoso.

O que conta, portanto, é o que trazemos no coração e espalhamos no mundo. E Deus bem conhece nosso íntimo. Terá recompensa quem lhe entrega o coração e as boas ações em favor dos irmãos. Quem vive apenas querendo aparecer, ainda mais com “pinta” de santo, pode até se tornar conhecido ou famoso, mas talvez, em vez de Deus, encontre apenas o próprio vazio ou orgulho.

Pe. Paulo Bazaglia, ssp


O Domingo

É um periódico que tem a missão de colaborar na animação das comunidades cristãs em seus momentos de celebração eucarística. Ele é composto pelas leituras litúrgicas de cada domingo, uma proposta de oração eucarística, cantos próprios e adequados para cada parte da missa e duas colunas, uma reflete sobre o evangelho do dia e a outra sobre temas relacionados à vida da Igreja.

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