GUARDAR A PALAVRA
Jesus está reunido com seus apóstolos no Cenáculo. Estamos no contexto da Última Ceia. Há um misto de alegria e tristeza nesse encontro: alegria, porque é uma reunião entre amigos; tristeza, porque é a despedida. Toda despedida de quem amamos é dolorida.
Imaginemos os olhos de Jesus. São olhos iluminados por um brilho encantador e acolhedor. Ele acolhe cada um de seus amigos com afeto. São olhos que abraçam. Há quem diga que há abraços com os olhos mais verdadeiros do que abraços com os braços. Como é bom ser abraçado por Jesus, pelo seu olhar, que nos enche de amparo e confiança. Obrigado, Senhor, por nos abraçares, a nós que, às vezes, somos tão medrosos e fracos; a nós que fugimos no dia da cruz; a nós que te negamos na hora da dor; a nós que te entregamos por qualquer valor. E mesmo assim, Senhor, tu nos tratas com tanto amor e ternura.
Imaginemos a face de Jesus. Humana e sagrada face. Face que estava em constante intimidade com o Pai. Face toda bela e generosa, feito ipê florido na aridez do cerrado. A aridez está no coração daqueles que o rejeitam. Sua face é qual dia de sol e céu azul no infinito do sertão: tão límpido, luminoso, todo transparente. Face serena, ali não há medo nem engano. É confiança plena. Os apóstolos a contemplam, de vez em quando baixam a vista. Parecem ansiosos.
“Se me amardes”, diz Jesus. Nós temos tantas outras saídas para a vida. Só há, porém, uma que tem o sentido de verdade: amá-lo. Amar Jesus é guardar sua Palavra. O verbo “guardar”, aqui, corresponde ao sentido de memória e movimento. Não remete a algo estático. O movimento é a vivência da Palavra. Guardar a Palavra é ter a face semelhante à do Mestre, é parecer-se em tudo com ele.
Jesus não nos deixa órfãos. O Espírito Santo, o Paráclito, nos ajude a manter viva em nós a memória do amor e da concórdia, semeando a paz e a fraternidade em nosso coração e fazendo-nos sentir a presença viva do Senhor em nosso caminho.
Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp

É um periódico que tem a missão de colaborar na animação das comunidades cristãs em seus momentos de celebração eucarística. Ele é composto pelas leituras litúrgicas de cada domingo, uma proposta de oração eucarística, cantos próprios e adequados para cada parte da missa e duas colunas, uma reflete sobre o evangelho do dia e a outra sobre temas relacionados à vida da Igreja.
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