O AMOR UNIVERSAL
O que celebramos neste domingo é, sem dúvida, a universalidade do Evangelho. Receber o Espírito Santo concede autoridade, sim, mas, antes de tudo, marca de maneira indelével aqueles que se dispõem a viver a vocação cristã, que é doação e serviço. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e se entendiam, porque a linguagem do cristianismo é o amor. Qualquer outra não vem de Deus.
Ao longo do período pascal, ouvimos relatos da presença do Ressuscitado, que ia ao encontro dos seus onde e como eles estivessem. O interessante é que quase sempre os discípulos estavam sob o risco de voltar para a vida antiga, por não compreenderem o que Jesus havia dito. As aparições/encontros são organizados de maneira a fazer um percurso com a comunidade cristã atual, até a solenidade de hoje. E aqui estamos.
O sopro do Espírito sobre os apóstolos, reunidos em torno de Maria, é a nova criação acontecendo. Jesus, o novo Adão, é obediente em tudo e recupera a amizade da humanidade com Deus, perdida pela desobediência. De Maria nasce aquele que restaura a fraternidade e a aliança.
O mesmo Espírito é quem impulsiona e sustenta a Igreja em sua missão de evangelizar todos os povos. Ela é lugar de “todos, todos, todos” (papa Francisco). O amor de Deus transforma qualquer situação, perdoa tudo e cura tudo. A Igreja e seus filhos não são donos da verdade, mas guardiães e servidores dela. O Pentecostes, narrado nos Atos dos Apóstolos, é a maior expressão da universalidade do Evangelho, do seu alcance e de nossa vocação de batizados, pois somos parte desse corpo místico que é a Igreja.
A autoridade que possuímos é a do serviço. Doar-se inteiramente por causa do Reino é fazer que a humanidade sinta a suavidade de Deus nas tribulações, é ser luz em meio às trevas da guerra, da corrupção, da desigualdade, do feminicídio e do preconceito. É não repetir o gesto de Caim, mas o de Cristo, que, até na cruz, ama, perdoa e consola. Vivamos intensamente o dom recebido como comunidade e em torno de Maria, nossa Mãe.
Cl. Bruno Rosa, ssp

O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.
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