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Tecnologia e Pastoral

07/07/2020

INTERNET: uma ferramenta de conversão pastoral

Por Ednoel Amorim

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“A conversão pastoral de nossas comunidades exige que se vá além de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária.” (Documento de Aparecida, n. 370). Com essa chamada de atenção, os bispos reunidos em Aparecida, nos indicam a necessidade de movimentarmo-nos, passar de uma situação eclesial cômoda para uma mais desafiadora na qual é preciso anunciar o Evangelho de pessoa a pessoa, anulando nossos interesses pessoais e privilegiando com ardor e ousadia iniciativas por atualizar os métodos de evangelização.

Entendemos como uma pastoral convertida aquela que se deixou encontrar com Cristo, que se permitiu ser preenchida por um acontecimento extraordinário, que dá um novo sentido a existência. Apesar de todos os desafios e contrariedades do momento pelo qual passamos quando estamos imbuídos por esse sentido de conversão pastoral, somos capazes de nos abrir para novas maneiras de evangelizar, adentrando no dinamismo das novas tecnologias inclusive as digitais. Há poucos dias, Dom Rino Fisichella, na coletiva de imprensa na qual apresentou o novo diretório para a catequese dentre suas palavras se pode destacar a urgência por uma conversão pastoral.

Essa urgência sentida pela Igreja não é de hoje e nem de ontem, mas certamente ganhou um novo sabor quando o Papa Francisco em sua exortação apostólica Evangelli Gaudium, sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual, relembrou metaforicamente que um dos sinais da conversão pastoral é uma Igreja de portas abertas (cf. EG, 46) e que ela se concretiza numa “Igreja em saída”. Uma Igreja que da base à sua cúpula entende que somos irmãos uns dos outros e precisamente por isso somos impelidos pelo dever de sairmos em busca daqueles que se encontram nas periferias, sejam elas físicas ou existenciais. O Papa fala de um compromisso, aquele de sermos discípulos, que “significa ter a disposição permanente de levar aos outros o amor de Jesus; e isso sucede espontaneamente em qualquer lugar: na rua, na praça, no trabalho, num caminho” (EG, 127). E porque não na internet?

Não podemos deixar de lado a triste realidade de que ainda hoje existem milhares de pessoas passando fome, sofrendo abandono e marginalização de todo tipo, mas, sobretudo em nosso contexto atual existe uma periferia ainda mais escondida no ciberespaço do mundo digital que também necessita de um olhar atento de nossa parte. Com toda razão o Papa Francisco salientou em sua exortação apostólica Christus Vivit (n. 88), que “o ambiente digital é também um território de solidão, manipulação, exploração e violência, até chegar ao caso extremo da dark web”, um ambiente propício para criminosos, onde os mais leigos no assunto como o são a maioria dos usuários da internet estão expostos a ataques e golpes constantes.

No entanto, nós, como discípulos missionários e discípulas missionarias devemos nos sentir chamados também a evangelizar esses ambientes complexos e desafiadores, ajudando os mais simples a compreender os seus funcionamentos, auxiliando as vítimas da violência, do racismo cibernético, da exploração sexual dos jovens nas redes sociais, prevenindo os usuários de possíveis manipulações com fakenews e inclusive sendo presença na solidão dos problemas juvenis dentre muitos outros casos.

Além de termos o dever de trabalhar na minimização dos riscos decorrentes da utilização dos recursos da web, precisamos utilizar todo o seu potencial, para implementarmos formas de diálogo e encontros virtuais. A internet “pode oferecer magníficas oportunidades de evangelização, se usada com competência e clara consciência de suas forças e fraquezas.” (DAp, n. 488). Os meios de comunicação de um modo geral não tem o poder de substituir as relações interpessoais, no entanto, como os próprios bispos nos indicaram em Aparecida, eles “podem reforçar e estimular o intercâmbio de experiências e informações que intensifiquem a prática religiosa através de acompanhamentos e orientações.” (DAp, n. 489). Com essa postura podemos agir com o auxílio do ambiente digital inclusive para uma efetiva participação sociopolítica e cidadã favorecendo transformações significativas em nossa sociedade.

Se você conhece exemplos de transformação social a partir do uso da internet deixe um comentário para conhecermos mais exemplos net-ativistas e partilharmos conhecimento e informação.

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