OLHAR DE JESUS
Jesus se comove ao ver as multidões cansadas e desanimadas (Mt 9,36). Seu olhar é de ternura. Não é um olhar de simples sentimento de pena ou compaixão superficial. É algo muito mais profundo; por isso, banhado de acolhimento.
Esse olhar de acolhimento penetra o mais profundo da condição humana. É olhar que vê a vulnerabilidade e abraça o vulnerável para que ele viva. O olhar de Jesus não se limita a ver o número de pessoas, vai além das estatísticas frias; é olhar que toca a alma de cada pessoa, na sua singularidade e complexidade. Ele percebe o cansaço e o desânimo de cada um. Esse olhar terno enxerga a fragilidade humana e a dor de estar perdido, sem rumo e sem lugar no mundo. O olhar de Jesus é o oposto de um olhar indiferente ou julgador.
O olhar terno de Jesus é a manifestação de um cuidado visceral. Ele vê a multidão como “ovelhas sem pastor”, metáfora que evoca a imagem de seres indefesos e necessitados de proteção. Seu olhar é um convite à segurança e ao descanso, transmitindo a certeza de que há alguém que se importa com a condição de quem se sente desamparado.
A ternura no olhar de Jesus para as multidões é a perfeita união entre uma percepção aguçada da dor do outro e um afeto carinhoso. É olhar que não apenas entende o sofrimento, mas sobretudo acolhe o sofredor e se move para aliviá-lo.
O olhar de Jesus nos mostra que o verdadeiro amor e a verdadeira compaixão são não apenas sentimentos, mas também a base para a ação concreta. O olhar terno de Jesus não é estático ou distante. É um olhar em direção à vida que toca a existência do outro e nos compromete a ser, da mesma forma, agentes de cura e libertação na vida dos feridos na carne e na alma, dos cansados, descartados e desanimados.
Em tempos de indiferença e anestesiamento de tantos corações, nós, os discípulos, faremos a diferença no mundo se nos deixarmos encantar pelo olhar comovente de Jesus. Deus nos ajude!
Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp

É um periódico que tem a missão de colaborar na animação das comunidades cristãs em seus momentos de celebração eucarística. Ele é composto pelas leituras litúrgicas de cada domingo, uma proposta de oração eucarística, cantos próprios e adequados para cada parte da missa e duas colunas, uma reflete sobre o evangelho do dia e a outra sobre temas relacionados à vida da Igreja.
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