Colunistas

Educação e Literatura

19/10/2015

O livro de colorir e de imagens

Por Alexandre Carvalho

Indicar a um amigo:





Os modismos podem ser perigosos; contudo, é quase sempre possível garimpar algum benefício daquilo que nos é imposto pelo mercado. No campo literário (ou da produção de livros, se assim quisermos chamar), experimentamos um fenômeno interessante desde o ano passado: a ascensão dos livros de colorir. A rigor, nenhuma novidade; contudo, tudo começa (ou recomeça) com a proposta de livros mais bem elaborados que não somente encantam crianças, mas também adultos. É sabido que muitos milhares de exemplares desses livros para colorir foram vendidos mundo afora e, com isso, a indústria, nesse segmento específico, acabou respirando mais profunda e gostosamente.

A rigor não estamos diante de uma novidade porque, de fato, não se trata de novidade, mas um misto de ousadia e sorte recaídas sobre quem propôs esse projeto.

Nossas crianças, desde as primeiras séries são estimuladas a colorir. Essa atividade, associada ao processo de aprendizagem, tem fins pedagógicos específicos e não se oferece qualquer ilustração para as crianças, pois ao invés de estimulá-las, poderia provocar efeito contrário.

Com o modismo dos livros de colorir, pais e filhos têm uma excelente oportunidade de se aproximar um pouco mais e, com isso, reforçar os laços que os unem.

Em geral, os livros de colorir não apresentam textos; mais uma oportunidade é surgida a partir dessa configuração: a possibilidade de se criar histórias a partir das imagens que o livro apresenta. Como cada cabeça é uma sentença, a criatividade pode ir a mil. A cada vez que o livro é aberto, uma nova história pode ganhar vida.

Além da possibilidade de colorir, há também livros que são propostos sem texto, os famosos livros de IMAGEM e não necessariamente para colorir. Também esses livros são pensados de modo a respeitar faixas etárias e o crescimento cognitivo das crianças; na mesma direção, os traços das ilustrações também são pensados, pois eles devem causar fascínio e identificação; além de gostar, a criança, de algum, modo é chamada a ver-se aí e desafiada a reproduzir tais ilustrações.

Toda narrativa é um campo de possibilidade; no caso de um livro de imagens, poderíamos compará-lo a um baú que traz em si muitos e inesgotáveis tesouros.

Se for nosso desejo que as crianças se aventurem e permaneçam no mundo da literatura, os livros de colorir e os livros de imagens podem ser um bom começo.

nenhum comentário