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02/05/2022

Não venda ideias, venda histórias!

Por Ednoel Amorim

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Na vida, seja ela profissional, escolar, empresarial, familiar etc., estamos sempre fazendo projetos, conscientes ou inconscientes, planejados ou ocasionais. Eles são de fato muito importantes, pois ajudam a construir um processo articulado, lógico e funcional. Caminhar sem rumo leva para qualquer lugar, seguir a vida com método faz chegar onde se quer. Seja como for, sozinhos é sempre mais difícil, por isso o dado da coletividade será sempre necessário.

Para o projeto dar certo, ele precisa desenvolver-se, o que em poucas palavras significa “tirá-lo do papel” ou colocá-lo em prática. Para que isso aconteça não basta ter boas ideias, é preciso saber contá-las. Poucas pessoas estarão dispostas a lhe ouvir, mas se fores um bom contador de histórias certamente conseguirá envolver sua audiência e assim seus objetivos estarão mais próximos de serem alcançados, pois outros se sentirão motivados a fazer parte deles.

Quando se fala em audiência, isso pode ser de fato uma plateia, mas pode ser inclusive seu chefe, sua equipe de trabalho ou seus colegas de faculdade, até seus familiares. O cenário depende muito do seu contexto específico e particular, mas seja qual for o seu, a arte de contar histórias é fundamental. As ideias simplesmente, apesar de serem boas, podem não ser concretamente visualizadas por problemas com quem as transmite ou com quem recebe essas informações. No entanto, quando conseguimos materializar a ideia criamos uma dinâmica imaginativa que ajuda a tornar a ideia mais palpável e isso se faz muito bem com histórias.

O que fazer então para contar boas histórias? Em primeiro lugar é preciso criar a estrutura. Sem começo, meio e fim bem definidos não conseguiremos dar sentido ao nosso enredo. Para quem conhece o universo Harry Potter, por exemplo, sabe que o sucesso dos livros e dos filmes dentre muitos fatores está o de possuir uma estrutura muito bem montada por J. K. Rowling. A autora consegue envolver o público desde o início e durante, criando pequenas narrativas dentro da narrativa maior e já no final da primeira parte fica claro que existem pontas soltas que só serão respondidas no final da trama, criando expectativa e gerando um engajamento gigantesco. Outro fator importantíssimo é o envolvimento ou identificação com a história contada. Harry Potter e a Pedra Filosofal é um livro feito para crianças. Como já é de se imaginar, crianças crescem. Também Harry Potter cresce e amadurece com seus leitores e espectadores, que a cada cena, a cada filme, a cada história, se identificam com as fases e desafios do mundo mágico, aplicando-os a seus próprios desafios e etapas vividas, da infância à vida adulta.

Guardadas as devidas proporções e ressalvas, minha ideia ou a sua ideia podem ser as melhores do mundo ou não (simplesmente), mas se você souber colocá-la em uma tese principal, estruturá-la em partes que façam sentido durante e no final e promovam o envolvimento ou engajamento do seu público, certamente seus projetos serão melhor desenvolvidos desde os pequenos até os macros. Desde construir uma casa, comprar um carro novo, conseguir um emprego, montar uma equipe, justificar um investimento, fazer uma faculdade… Não venda suas ideias, crie histórias interessantes para você, que sejam do seu domínio, que criem sinergia, identificação com seu público e perceba como será mais fácil convencer as pessoas daquilo que você acredita.

A ideia pode até não dar certo, mas você terá construído argumentos que criaram envolvimento, participação, e no fim ninguém vai dizer: você errou. Muito provavelmente irão dizer: Nós nos equivocamos. Pois estarão envolvidas com o processo. O professor Felipe Anghinoni, cofundador da Perestroika, escola brasileira de criatividade e inovação, é um grande defensor dessa postura.

Qual é o seu projeto? Quais histórias você pode criar para desenvolvê-lo? Acredite no seu potencial, pois as histórias da sua vida pessoal podem se tornar poderosas ferramentas do seu sucesso profissional e pessoal, quando casadas com os seus sonhos e perspectivas.

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