Fragmentados | Paulus Editora

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Tecnologia e Pastoral

05/09/2021

Fragmentados

Por Ednoel Amorim

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Em geral a nossa mão possui 5 dedos que se ligam por tendões ao braço, este ao tronco e juntos trabalham ou funcionam para o bem do corpo, assim como todas as demais partes e funções que temos, todas sendo comandadas pelo nosso cérebro. Em nossa constituição física podemos observar e fazer a experiência da integração. Basta perceber que quando um membro do corpo não está bem, todo o corpo sofre. São Paulo nos fala disso a propósito da Igreja, o corpo de Cristo do qual fazemos parte pelo batismo (cf. 1 Cor12,26).

Já no ambiente digital estamos submetidos a uma experiência diferente. Ela se torna extremamente fragmentada se não tomamos o devido cuidado. Podemos estar participando de uma aula on-line ou até mesmo presencial e, ao mesmo tempo, conectados com outras pessoas por meio do WhatsApp, vendo uma postagem no Instagram, um vídeo no TikTok, lendo um artigo totalmente alheio ao que está sendo exposto na aula e ainda adiantando um trabalho de outra disciplina.

A pergunta é: onde estamos de fato? A quem estamos dando atenção? Há quem diga que é perfeitamente possível conciliar todas essas atividades e de fato pode ser que isso seja possível, não podemos duvidar das capacidades humanas, no entanto, também devemos levar em consideração que um processo desse tipo repetido indiscriminadamente pode contribuir para ficarmos cada vez mais fragmentados em nossas relações e em nosso modo de nos comportar. Fica sempre o risco de chegarmos ao ponto de não estarmos inteiros naquilo que fazemos por não sermos mais capazes de nos concentrar em uma única coisa.

Devemos de fato tomar cuidado para que isso não se transforme em uma rotina. O risco que corremos, decorrente dessa fragmentação, é o de perder os momentos. É o risco de não vivê-los com a devida intensidade tirando deles o proveito necessário, o que implica uma preocupação por retornarmos sempre aquilo que é essencial tendo em vista que cada coisa reclama o seu lugar. Podemos perder a capacidade de sustentar um diálogo maduro, por exemplo. Quem pula um vídeo no TikTok porque não lhe agrada ou muda de mídia e de perfil como quem muda de roupa, pode achar que poderá fazer o mesmo com as pessoas, o que será muito grave.

Ora devo ser aluno, ora devo ser filho, em um momento posso estar na web, em outro fazer uma pesquisa na biblioteca, ser o influenciador digital… O que não posso esquecer é que na vida existe tempo para tudo (cf. Ecl 3) e tudo tem seu momento adequado. Saber usar bem esse tempo que me é proporcionado é de certo modo fazer a experiência da integralidade, fugindo do improviso e da fragmentação.

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