Helder Camara, um nordestino cidadão do mundo | Paulus Editora

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19/04/2011

Helder Camara, um nordestino cidadão do mundo

Por adm

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Título: Helder Camara, um nordestino cidadão do mundo
Autor: Martinho Condini e Ilvana Maria Pereira Bulla
Coleção: Brasileirinhos
Acabamento: Grampeado
Formato: 18,5 cm x 27,5 cm
Páginas: 16
Áreas de interesse: Língua Portuguesa, Geografia, História

“Se eu pudesse, daria um globo terrestre a cada criança…
Se possível, até um globo luminoso,
Na esperança de alargar ao máximo a visão infantil
E de ir despertando interesse e amor por todos os povos,
Todas as raças,
Todas as línguas,
Todas as religiões!”

Essas palavras são de um homem nascido em Fortaleza, Ceará, no ano de 1909, que desde cedo sonhava em fazer o bem às pessoas e em construir um mundo mais justo e gostoso de se viver. Assim foi Dom Helder Camara. E a sua história agora é contada em linguagem poética para as crianças em livro da PAULUS.

Helder Camara, um nordestino cidadão do mundo foi escrito por Martinho Condini e Ilvana Maria Pereira Bulla, que são casados e resolveram unir seus conhecimentos a fim de oferecer aos pequenos leitores uma obra inspiradora e capaz de retratar a importância desse homem para o Brasil e o mundo.

Os autores contam que Helder, quando criança, gostava de brincar de ser padre, além de construir altares de brinquedo e rezar missas imaginárias. A brincadeira virou coisa séria e, aos 14 anos de idade, entrou no seminário diocesano da Prainha de São José, em sua terra natal. “Aos 22 anos, com a autorização do papa, tornou-se padre e, aos 27, foi morar na cidade do Rio de Janeiro, na época capital do Brasil. Lá, padre Helder mostrou ao mundo como era amar ao próximo como a si mesmo: criou a ‘Cruzada São Sebastião’.”

A cruzada era uma união de pessoas dispostas a construir casas aos moradores das favelas. Alguns davam o dinheiro, outros o material, outros construíam, enfim, cada um ajudava como era possível. A partir desse espírito de caridade, padre Helder acreditava num mundo melhor e, assim, unido a outros padres, deu início ao processo de criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), sonho concretizado em 1952, quando já era bispo. O intuito era reunir todos os bispos brasileiros para trabalhar em prol da missão da Igreja no país.

Além dessas iniciativas, o livro também aborda outros momentos que marcaram a trajetória de Helder Camara, como a mudança do Rio de Janeiro – onde tornou-se bispo –, após 28 anos, para Pernambuco, onde foi arcebispo das cidades de Recife e Olinda; as suas atitudes de coragem durante a ditadura militar, período no qual os governantes tentaram impedir sua popularidade; as quatro indicações recebidas ao Prêmio Nobel da Paz, entre outros.

Com belíssimas ilustrações e texto leve e divertido, Helder Camara, um nordestino cidadão do mundo, que pertence à coleção Brasileirinhos, é um excelente instrumento na formação intelectual e social das crianças, pois transmite-lhes a relevância de Dom Helder Camara na construção da identidade do nosso país.

Confira abaixo a entrevista com os autores Martinho Condini e Ilvana Maria Pereira Bulla

Como vocês definiriam Dom Helder Camara?

Um profeta do século XX, um homem e religioso que esteve à frente do seu tempo, defensor da paz e da justiça social. Durante sua vida, pensou, falou e agiu conforme os seus princípios ideológicos, religiosos, éticos e morais. Um ser humano coerente em pensamento e atitude, discurso e prática. Corajoso, ele fez de sua vida uma revelação daquilo que sentia como sua verdadeira missão.

Quais foram as suas principais contribuições?

Algumas das principais contribuições de Dom Helder foram: a criação da Cruzada São Sebastião, que possibilitou a construção do primeiro conjunto habitacional popular no país, o banco da providência e a feira da previdência, que existem até hoje no Rio de Janeiro. Foi também o idealizador e criador da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a primeira conferência episcopal do mundo. Como bispo brasileiro, foi quem mais atuou nos bastidores do Concílio Vaticano II, convencendo bispos e cardeais a apoiar a construção de uma igreja que tivesse como prioridade a “opção pelos pobres”, tornando-se um dos precursores da Teologia da Libertação. Sua atuação social a partir de 1964 em Recife, com a Operação Esperança, possibilitou a cria&cc
edil;ão das comunidades eclesiais de base e das pastorais sociais. Foi uma das mais importantes vozes em oposição à ditadura militar e defensor dos direitos humanos. Enfim, suas atitudes contribuíram para a construção de uma Igreja mais engajada na busca de resoluções para os problemas sociais e para a formação de uma sociedade mais justa e fraterna.

Como é falar sobre Dom Helder para crianças?

Conseguimos um bom caminho quando percebemos a proximidade entre a seriedade da subjetividade infantil (seus primeiros sonhos e fantasias) e a preservação da criança nas atitudes de Dom Helder. Como ele dizia: “Ai do mundo, sem sonho, sem utopias”. Por isso, estamos convencidos de que apresentá-lo às crianças é poder despertar em nossos brasileirinhos a importância de sua participação no mundo.

Vocês tiveram dificuldades para alcançar a linguagem leve e descontraída que o público exige?

Martinho: A construção do texto em linguagem infantojuvenil, deixei por conta da Ilvana, que é psicoterapeuta.

Ilvana: Não sou escritora, sou psicoterapeuta. Sabia que não poderia esperar de mim nada além da linguagem que utilizo para comunicar-me com as crianças que atendo. No trabalho com elas, retirar os excessos ou o demasiadamente conceitual é um exercício lúdico muito prazeroso, e a criança costuma responder a isso. Minha experiência profissional foi referência para a construção do texto.

Como vocês esperam que a obra seja trabalhada pelos pais na educação dos filhos e pelos professores em sala de aula?

Gostaríamos que pais e professores ressaltassem sua defesa aos direitos humanos. O respeito e a tolerância para com seu semelhante, sobretudo sua crença no que há de luminoso no homem, são fundamentais para o desenvolvimento infantil, especialmente para as crianças entre 8 e 12 anos. Elas precisam de modelos que reflitam o que de melhor habita dentro delas. Amor fraterno, compaixão e humildade, traduzidos em realizações sociais, têm valor inestimável na estruturação de uma personalidade. Ficaríamos muitos satisfeitos com a possibilidade de colorir o mundo infantil com mais um exemplo de evolução moral de nossa espécie. Tudo isso, é claro, só terá ressonância na criança, se for trabalhado de maneira lúdica, solta e criativa, como aconteceu com o menino do córrego Page&uac
ute; (Helder Camara).
Martinho Condini é paulistano, graduado em Estudos Sociais pela Universidade de São Paulo (UNICID) e mestre em Ciências da Religião pela PUC-SP. É professor e ministra palestras sobre Dom Helder Camara. Em 2008, lançou pela PAULUS o livro Dom Hélder Câmara — Um modelo de esperança.

Ilvana Maria Pereira Bulla é psicóloga, psicoterapeuta de orientação junguiana com especialização em Cinesiologia pelo Instituto Sedes Sapientiae e mestra em Ciências da Religião pela PUC-SP.

Fabiana Salomão começou a ilustrar livros infantis e juvenis quando ainda cursava a faculdade de Belas Artes, em São Paulo. Desde então tem trabalhado para as melhores editoras e agências do Brasil e do exterior, contribuindo com seus belos desenhos. Ela também é formada em Letras e atualmente cursa Teologia.