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Família

15/05/2017

O valor do trabalho hoje

Por Suzana Coutinho

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Neste mês de maio, celebramos o Dia do Trabalho, que rememora a greve de trabalhadores, em Chicago (EUA), por melhores condições de trabalho, em 1886. Do evento, vieram dor e morte, mas também aprendizado e conquistas. Aliás, a história do trabalho humano e dos direitos trabalhistas é marcada por muito sofrimento, perdas e alguns progressos. Entender isso é importante para compreendermos melhor nossa sociedade e nosso mundo.

Mas, o que significa trabalho hoje? Qual a relação entre a família e o mundo do trabalho? Que orientações a Igreja, iluminada pelo Evangelho de Jesus, tem a nos dar?

Muitos jovens, influenciados pela mídia, mas também por suas famílias, buscam no trabalho boas condições econômicas para viver. Esquecem-se, porém, que essa é apenas uma dimensão do trabalho. Ao participar do mundo do trabalho, a pessoa humana se integra na construção da sociedade, faz parte dela e se sente responsável por contribuir, de alguma forma, com os outros.

Ao pensar somente no ganho financeiro ou no status gerado por algumas profissões, muitos se esquecem do sentido da vocação, e mesmo que demonstrem habilidades para realizar as atividades a que se propuseram, seguem infelizes e não realizados. Muitos optam, depois, por rever suas escolhas. Geralmente, alcançam essa realização quando se colocam à serviço da vida humana, e mesmo com o meio ambiente, produzindo bens e serviços de forma mais consciente e sustentável.

De outro lado, a própria organização do trabalho tem dificultado às pessoas se realizarem por meio dele. Como explica o papa Francisco (A alegria do amor), “o atual sistema econômico produz várias formas de exclusão social. […] As possibilidades para os jovens são poucas e a oferta de trabalho é muito seletiva e precária. As jornadas de trabalho são longas e, muitas vezes, agravadas pelo tempo gasto na deslocação” (n. 44).

Convidamos as famílias a repensar o papel do trabalho, a ampliar o olhar sobre ele:  não pensar apenas no necessário e decoroso sustento material da vida, mas entre outras coisas fundamentais, realizar um trabalho livre, criativo, participativo e solidário, em que “o ser humano exprime e engrandece a dignidade da sua vida” (Evangelii gaudium, n. 192). Assim, poderemos contribuir para a felicidade de nossos filhos e para o bem comum de toda a sociedade humana, para que “todos tenham vida e a tenham em plenitude” (Jo 10,10).

1 comentário

6/6/2017

aldemiro

Todo trabalho e digno do seu salário, o trabalho também me santifica