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Bíblia

05/07/2017

Livros Históricos – 7. Esdras

Por Nilo Luza

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Esdras, a princípio, fazia parte de um único volume com o livro de Neemias. Ambos os livros são mais ou menos da mesma época, após o exílio babilônico. Mesmo não sendo muito apreciados pelo povo, fazem parte da Bíblia, palavra de Deus. Tudo indica que os dois livros são do mesmo autor dos livros das Crônicas. Assim os quatro (1 e 2 Crônicas, Esdras e Neemias) compõem a chamada “história cronista”. Esdras atuou como escriba e sacerdote no meio do povo; enquanto Neemias atuou como governador de Judá. Esdras assumiu função religiosa, enquanto Neemias esteve ligado à atividade política.

Tudo começou com o decreto de Ciro, rei da Pérsia, permitindo o retorno dos judeus exilados na Babilônia. Ciro conquistou a Babilônia em 539 AC. Logo no início do seu governou, determinou que os judeus que quisessem poderiam voltar para Judá. Determinou também a devolução dos vasos sagrados que Nabucodonosor roubou do templo e o custo da reconstrução do templo devia vir dos fundos imperiais.

Podemos dividir o livro de Esdras em dois blocos: capítulos 1-6: o retorno do exílio e a reconstrução do templo; capítulos 7-10: a organização da comunidade.

A primeira parte (1-6) descreve o retorno dos exilados da Babilônia e vai até o término da reconstrução do templo (o segundo templo). Há grande preocupação com o culto: altar, templo, sacrifícios, oferendas… Mostra assim o quanto era importante o culto, o altar e o templo no projeto dos repatriados. Somente o templo de Sião era legítimo, negando a legitimidade de outros espalhados pelo interior. O autor procura apresentar a comunidade judaica sem grandes problemas, sem indícios de pobreza nem tensão interna. Parece que o único contratempo é a resistência dos samaritanos e do povo da terra (os que não foram para o exílio) contra a reconstrução do altar e do templo.

A segunda parte (7-10) apresenta Esdras como figura principal desses capítulos. Esdras é descrito como sacerdote especialista na lei de Deus. Chega a Jerusalém com muitos poderes conferidos pelo rei persa. Os capítulos 9 e 10 traçam as medidas contra os matrimônios mistos. Os repatriados não devem se misturar com o povo da terra nem com os povos vizinhos. Ficam proibidos os casamentos com o povo da terra e com os povos vizinhos. Os que já estão casados devem se separar. Essas medidas visam manter unida a comunidade dos repatriados com suas tradições religiosas. Por outro lado, essas normas excluem o povo da terra e isolam os repatriados ao redor do templo de Jerusalém.

1 comentário

17/7/2017

marcos antonio perira

TEXTO MUITO REFLEXIVO