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Liturgia

05/10/2020

Liturgia: fonte de comunhão

Por Manoel Gomes

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Provavelmente, todos nós já iniciamos alguma celebração com aquele belo cântico que diz “a Eucaristia nos faz Igreja, comunidade de amor”. Essa é uma verdade que não podemos jamais esquecer. A nossa fé é eminentemente comunitária e ao centro dessa vida em comunidade está a Eucaristia, como sacramento da unidade. Nessa e nas próximas reflexões nos inspiraremos nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (daqui em diante DGAE) para os anos de 2019 a 2023.

Desde os primórdios do Cristianismo a mesa eucarística foi o centro da vida das comunidades cristãs. Era a partir dela que tudo ganhava sentido e para ela convergia à vida de cada um dos fiéis. “Os vínculos anteriores e posteriores à Eucaristia suscitavam a partilha das dificuldades do cotidiano e o compromisso com o Reino de Deus” (DGAE, 93). A Eucaristia, celebrada nas casas dos “santos”, não era um evento semanal do qual se participava quase por obrigação e depois cada um podia continuar a vida como quisesse. Celebrar juntos a “ceia do Senhor” exigia que todos vivessem em comunhão com o Corpo e Sangue de Jesus.

Ao mesmo tempo em que a “ceia do Senhor” fazia memória do mistério pascal de Cristo, também apontava para o futuro, alimentando a esperança do mundo que há de vir. A celebração da Eucaristia era para as primeiras comunidades – e é também para nós – atualização do evento pascal e garantia de vida eterna, quando Deus será tudo em todos.

Nas primeiras comunidades, era muito forte o sentimento de unidade, concebendo-se a Igreja como um verdadeiro corpo, tanto que alguém não comparecer à celebração eucarística era comparado a mutilar o corpo de Cristo. A comunidade não era um lugar onde desconhecidos se reúnem para satisfazer sua necessidade ou cumprir o preceito, mas verdadeiras “casas”, nas quais todos se sentiam irmãos e assim viviam.

Ao nos apresentar essa realidade, – tão rica e significativa – as Diretrizes Gerais querem nos ajudar a compreender a Liturgia como um dos pilares que sustentam nossa vida de fé. Sem essa relação verdadeira com a Eucaristia e com os irmãos que conosco tomam parte na sua celebração, jamais seremos aquilo a que somos chamados como cristãos. Que, assim como os primeiros cristãos, busquemos “trilhar um caminho pascal, para viver no mundo sem ser do mundo” (DGAE 93).

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