Colunistas

Liturgia

06/07/2020

Liturgia e história da salvação I

Por Manoel Gomes

Indicar a um amigo:





Deus, no seu infinito amor, criou o mundo e, dentro dele, o ser hu­mano à sua imagem. Não o criou por acaso ou sem nenhum objetivo, mas como parte do seu projeto de amor e salvação. A criação é o início de uma história cheia de demonstrações de amor, não correspondência, infidelidade e perdão. Essa é a história salvífica ou, como é mais conhe­cida, história da salvação.

Essa história se divide em diversas etapas que podemos conhecer através da leitura da Sagrada Escritura.

Deus cria o ser humano, coloca-o como guardião de toda a criação, podendo usufruir de todos os bens da natureza, mas, por desejo de “ser como Deus”, a criatura humana peca e se afasta do seu Criador. Mas Deus não desiste de sua criatura e, mesmo quando os homens se afastam totalmente do seu caminho, oferece uma aliança e a oportunidade de recomeçar.

A história da salvação continua com a escolha de um povo na pessoa de Abraão, a promessa da terra e da descendência, a libertação do povo escravizado no Egito e a caminhada em busca da terra prometida. Em todos esses fatos, é nítido o amor incondicional de Deus e a constante oferta de aliança ao povo escolhido – aliança que Ele terminará assumindo sozinho, sem a contrapartida do homem. Essa escolha não é um privilégio, mas uma missão: ser luz para todos os povos.

Depois de tomarem posse da terra prometida – assim como antes – a infidelidade é uma constante na vida daquele povo. Deus sempre oferece o perdão e a possibilidade de recomeçar. Para conduzir o seu povo segundo os seus propósitos Ele faz surgir diversos profetas que com seu modo de viver e com seus discursos mostram ao povo seu pecado e convoca-o ao arrependimento. Mesmo assim, algumas vezes escolhem caminhos que não os caminhos de Deus e devem arcar com as devidas consequências.

O maior gesto de amor da parte de Deus, vendo como o ser humano não correspondia ao seu amor, foi enviar seu Filho único para resgatar o homem e leva-lo à plena comunhão com o seu Criador. Como diz são João no seu evangelho: “Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho […]” (Jo 3,16). A Carta aos hebreus também é muito clara nesse sentido: “Deus, que muitas vezes e de muitos modos nos tempos antigos falou aos pais por meio dos profetas, ultimamente, nestes dias, falou-nos por meio do Filho […]” (Hb 1. 1-2).

É o ponto mais alto de toda a história da salvação. A vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus realizam a salvação de Deus de modo absoluto e irrevogável. A Nova Aliança estabelecida no sangue de Jesus é eterna, sem que seja necessária a repetição de sacrifícios em expiação dos nossos pecados. Ele carregou sobre si os nossos pecados e nos fez filhos de Deus. Nada mais resta a não ser viver no espírito, isto é, abandonando as obras da carne (tudo aquilo que nos afasta de Deus) e tendo os mesmos sentimentos de Jesus.

nenhum comentário