40. Livro de Joel | Paulus Editora

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14/06/2022

40. Livro de Joel

Por Nilo Luza

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Quase nada sabemos do profeta Joel. Seu livro dá poucas informações sobre a biografia e o período histórico. Joel significa o “Senhor é Deus” e era filho de Fatuel. É um profeta do pós-exílio de Judá. O livro do profeta Joel pode ser datado entre o século V e o século III, mais precisamente pelos anos 400 a.C., no período persa, quando já não havia rei nem monarquia. Era profeta do Reino do Sul (Judá) e talvez um sacerdote ou profeta ligado ao culto. Supõe-se que pregou em Jerusalém à comunidade que frequentava o templo, quando este já estava reconstruído (515 a.C.). Alguns pensam que o livro seria uma liturgia realizada no templo.

É uma época difícil para o povo do campo: os impostos pesados para a Pérsia, sofre com o tráfico de escravos judeus, sustenta as instituições teocráticas: o templo, os sacrifícios e a elite sacerdotal. Além disso, o povo sofreu com a praga dos gafanhotos, a grande seca e as invasões dos povos inimigos. A situação era difícil que o povo pensava que Deus o tivesse abandonado.

Joel é conhecido como o “profeta de Pentecostes”, pois o Espírito de Deus é dado a todos (3,1). É também o profeta da “penitência” e seu convite ao jejum e à oração se enquadram com a liturgia cristã do tempo da Quaresma. Perdão que será conquistado com penitência, jejum e arrependimento. Podemos dividir o livro em duas partes.

Primeira (1-2): A praga dos gafanhotos e da seca: Esta parte trata da crise imediata provocada pelos gafanhotos e pela grande seca. Os efeitos no campo e nas colheitas são desastrosos. A falta de colheita tira o alimento do povo e o impede de oferecer a Deus os primeiros frutos do trabalho. Joel vê nesse fenômeno natural um castigo pela transgressão da aliança. Enquanto no capítulo dois, Joel usa a metáfora de um exército para descrever os efeitos dos gafanhotos na cidade. Com a menção do campo e da cidade, Joel sublinha a totalidade da destruição. Javé se compadece do povo e a praga e a seca são suspensas, restabelecendo a abundância agrícola. Assim, a bênção do Senhor volta para a vida do povo.

Segunda (3-4): Tempos novos e o dia de Javé: As implicações da salvação da praga dos gafanhotos e da seca e o reconhecimento de que Javé está no meio do povo são significativos para o presente e o futuro de Israel. Com o derramamento do espírito sobre todos os viventes, o capítulo 3 descreve os efeitos imediatos da presença de Javé em Israel. A paz e a harmonia entre Deus e o povo foram restabelecidas. A suspensão da seca e da praga dos gafanhotos resulta o reconhecimento de que Javé já está com Israel. O “dia de Javé” destina-se contra as nações inimigas. Naquele dia, o povo reconhecerá a presença do Senhor em sua história. O livro conclui com a promessa da restauração de Israel (Judá): com abundância de vinho, leite e água.

Bela mensagem do profeta é o dom do Espírito de Deus dado a todos os viventes, superando as barreiras de idade (velhos e jovens), sociais (escravos e livres) e de gênero (filhas e filhos). Já Moisés sonhava que todo o povo recebesse o espírito do Senhor (Nm 11,29). O tema será retomado pelo relato de Pentecostes (At 2). Joel antecipa aquilo que Paulo (Gl 3,28) previu que o espírito derramado no batismo supera todas as formas de discriminação: cultural (judeu ou grego), social (livre ou escravo), gênero (homem ou mulher) e sobre todas as pessoas (toda carne). A efusão do espírito é a manifestação do perdão e o retorno do Deus no meio do povo.

Outra mensagem do profeta é a proclamação do “Dia do Senhor”. Deus assegura o triunfo dos justos e o castigo aos pecadores. Apela para um despojamento total, que é condição de uma volta, de uma conversão e de uma nova reorientação da pessoa. É uma proposta de inauguração de nova era, quando Israel será salvo. O “Dia do Senhor” pode apresentar dois aspectos: salvação e desventura. Salvação para a comunidade que reconhece a bondade e a misericórdia do Senhor. Desventura para os que são contra a vida e a dignidade do povo de Deus.

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