33. O profeta Isaías | Paulus Editora

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10/11/2021

33. O profeta Isaías

Por Nilo Luza

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Não é fácil sintetizar o livro do profeta Isaías em poucas linhas. Além de ser o maior dos livros proféticos, com seus 66 capítulos, é formado por três livros de autores, contextos e épocas diferentes. São três livros num só volume. Na Bíblia, o livro de Isaías é o primeiro da lista, mas não o primeiro a ser escrito.

O livro de Isaías é considerado o mais importante dos livros proféticos e é o mais citado ou mencionado no Novo Testamento, em torno de 300 vezes, principalmente no tempo do Advento, quando trata a questão do messianismo. Mesmo entre os judeus teve grande aceitação e divulgação. Por sua importância, Isaías é considerado o “evangelista do Antigo Testamento”.

O livro do profeta Isaías não é trabalho de um único autor, é resultado de discípulos ou admiradores do profeta, o “grupo isaiano”, que levou em frente as propostas do profeta por mais de 200 anos. Por isso, o livro apresenta uma variedade de temas, de formas literárias e elementos históricos.

Primeiro Isaías ou Proto-Isaías (1-39): Em sua maior parte, foi escrito antes do exílio na Babilônia (587 a.C.). Nascido por volta de 765 a.C., pouco sabemos do profeta Isaías. Sua vocação se deu numa celebração no templo. Exerceu sua missão durante o período assírio, por volta de 740 a.C. até o final deste século. Isaías estava ligado à corte e ao templo, sendo conselheiro de vários reis. Em sua longa atuação, presenciou e combateu as injustiças e a exploração contra o povo, enquanto havia prosperidade para a classe dominante.

O Primeiro Isaías é formado por diversos oráculos ameaçadores contra as nações e seus mandatários. Os oráculos são intercalados por dois apocalipses: o “grande apocalipse” (24-27) e o “pequeno apocalipse” (34-35). Esses apocalipses são como que o gérmen da literatura apocalíptica. São escritos tardios.

Segundo Isaías ou Dêutero-Isaías (40-55): Do tempo do exílio na Babilônia (586-540 a.C.). Durante o exílio (586-539 a.C.), junto aos exilados, o “grupo isaiano” relê e reinterpreta a profecia de Isaías, depois de 200 anos do Primeiro Isaías. São bonitas profecias, conhecidas também como “Livro da Consolação” com o qual o profeta procura animar e consolar o povo, para não perder a esperança no Deus libertador. O surgimento de Ciro, rei da Pérsia, pôs fim ao domínio babilônico, o povo exilado pode regressar para Judá. Com isso, o movimento profético do Segundo Isaías sentiu-se esperançoso e procurou fortalecer a fé do povo, chamado “servo de Javé”. A preocupação do profeta é animar e manter viva a fé e a esperança das pessoas oprimidas em meio às divindades do império.

O Segundo Isaías é tema do novo êxodo que percorre o livro todo. Será um novo êxodo, melhor do que o primeiro (do Egito) e reconduzirá a uma nova Jerusalém, mais bela que a primeira. Todo o Segundo Isaías é repleto de mensagens de esperança e otimismo. As palavras de consolação estão presentes do início ao fim do livro. Neste livro encontramos os quatro “cânticos do servo”, tem a missão de realizar a justiça, ser luz dos povos e sofre a opressão.

Terceiro Isaías ou Trito-Isaías (56-66): Foi escrito depois do exílio (538 a.C.). Muitos judeus que viviam no exílio babilônico estão de volta em sua terra, na Judeia. O Terceiro Isaías está no contexto do pós-exílio, durante o período persa. São reflexões em torno de alguns temas do Segundo Isaías (40-55) à luz da nova realidade após a volta dos exilados. O profeta anima a comunidade a reconstruir a cidade de Jerusalém, o templo e a comunidade judaica.

Mais um autor ou “grupo isaiano” completa a obra do livro de Isaías, como o conhecemos hoje. O profeta está junto aos que retornaram do exílio. São grupos de empobrecidos que resistem contra o império e a prática dos sacerdotes em torno do templo e sonham com um novo céu e uma nova terra. O templo é a casa de oração para todos os povos, acentua a importância de repouso sabático, os chefes religiosos são responsáveis para cuidar de todo o povo.

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