32. Livros proféticos | Paulus Editora

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05/10/2021

32. Livros proféticos

Por Nilo Luza

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A Bíblia Católica ou Cristã divide o Antigo Testamento em quatro partes: Pentateuco, Livros Históricos, Livros Sapienciais e Livros Proféticos. Já vimos os três primeiros blocos, agora vamos nos dedicar aos Livros Proféticos. A palavra profeta vem do grego (profetés) e significa falar “em nome de” ou “em lugar de”. Os profetas da Bíblia falam em nome de Deus ou no lugar de Deus. Diríamos que profeta é porta-voz de Deus e da sua vontade. “Assim fala o Senhor” ou “oráculos do Senhor”, repetem com frequência os profetas.

Temos na Bíblia profetas escritores e também profetas não escritores. Os profetas não escritores não deixaram um livro escrito com o próprio nome. Os mais conhecidos são Elias, Eliseu, Natã, Moisés, Samuel e outros. Temos também mulheres profetisas Míriam, Débora e Hulda.

Aqui nos dedicamos aos profetas escritores ou canônicos aos quais se atribuem um livro. Esses profetas formam o quarto bloco da Bíblia Católica, o Cânon da Bíblia. Normalmente se costuma dividir o bloco dos profetas em “Profetas Maiores” e “Profetas Menores”. O primeiro grupo é formado por quatro profetas: Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel. Os Profetas Menores são doze: Oseias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias. Além desses, a Bíblia insere o profeta Baruc, texto deuterocanônico (não faz parte da Bíblia Hebraica), e o livro das Lamentações, que não é considerado livro profético. Portanto, ao todo são dezoito livros, fazendo parte desse bloco conhecido como “Livros Proféticos”.

Os livros desses profetas não nasceram de um dia para o outro, normalmente é fruto de longo processo redacional, levado em frente pelos seus discípulos ou admiradores de suas ideias. Os profetas pouco ou nada escreveram. Normalmente os profetas pronunciavam oralmente seus oráculos. Em alguns casos escreviam ou pediam para escrever. O profeta é, antes de tudo, pregador não escritor.

A ordem em que se encontram na Bíblia Católica não é a ordem cronológica em que cada livro foi escrito. Cronologicamente temos a seguinte ordem: profetas do século 8º a.C.: Amós, Oseias, 1º Isaías (1-39), Miqueias; profetas do século 7º e início do 6º a.C.: Sofonias, Naum, Habacuc, Jeremias; profetas do cativeiro: Ezequiel, 2º Isaías (40-55); profetas do século 6º a.C.: 3º Isaías (56-66), Ageu, 1º Zacarias (1-8); profetas do século 5º a.C.: Malaquias, Abdias; profetas do século 4º a.C.: Joel, 2º Zacarias (9-14); Baruc, provavelmente é do século 2º a.C.

Como podemos perceber, os profetas escritores surgem principalmente no tempo da monarquia e, aos poucos, vão minguando conforme a monarquia vai chegando ao fim. Acentua-se principalmente quando Israel começa a sofrer a invasão dos impérios vizinhos. A profecia escrita parece ser um questionamento das fraquezas da monarquia. Assim, a profecia ganha mais força durante a monarquia, talvez pela prática da injustiça dos seus governantes e da infidelidade do povo de Deus.

Os autênticos profetas são pessoas comuns que têm os pés no chão da realidade em que vivem. Conhecem muito bem a vida do povo. Por isso é importante conhecer o contexto cultural, político e econômico em que os profetas atuaram. Eles não são sonhadores nem visionários que preveem o futuro. São pessoas que falam da realidade do presente histórico em que vivem. Propõem mudanças para promover a justiça e a superação da miséria do povo. Eles têm consciência da origem divina de sua mensagem. A mensagem do profeta é dirigida aos seus contemporâneos.

Ao lado dos autênticos profetas, encontramos os falsos profetas que são aqueles ligados à corte, ou seja, a serviço da palavra do rei e das autoridades junto à corte e ao templo. São falsos porque defendem a palavra do rei ou dos falsos deuses. São como que “funcionários da corte” e fiéis defensores do rei e dos seus projetos. Enganam o povo, porque suas palavras não vêm de Deus e atuam pelos próprios interesses.

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