30. Livro da Sabedoria | Paulus Editora

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09/08/2021

30. Livro da Sabedoria

Por Nilo Luza

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O Livro da Sabedoria é o último escrito do Antigo Testamento. Embora o livro seja atribuído a Salomão, patrono da sabedoria em Israel, o autor é um judeu desconhecido do último século a.C., grande conhecedor da Escritura, da tradição de Israel, da língua, da filosofia e dos costumes gregos. Provavelmente foi escrito por volta do ano 50 a.C. em Alexandria, onde vivia grande comunidade de judeus. Ao criticar a opressão dos faraós do Egito, na verdade, o autor está se referindo ao Egito de seu tempo, dominado pela civilização grega. Critica também a adoração de divindades representadas por animais, característica das religiões egípcias.

O autor, mais pregador que teólogo, tem uma ligação muito forte com o assunto da sabedoria. Seus ensinamentos muitas vezes não chegam a conclusões lógicas e podem ocorrer até em contradições. Ensina que Deus está presente em toda parte, conhece tudo e ama todas as criaturas. Segundo o autor, a verdadeira sabedoria, dom de Deus, nos revela a presença do Criador agindo na história.

Os principais destinatários da obra são os governadores, para que atuem de forma justa em sua função; os sábios gregos, para que conheçam também a sabedoria judaica; os jovens, para que se mantenham na fé e nas tradições do seu povo. Principalmente a comunidade alexandrina é advertida para que não se deixe seduzir pelo helenismo (fenômeno cultural, político, econômico e religioso). É um alerta para defender a doutrina judaica diante do perigo do helenismo, que exercia forte pressão para que os judeus se adaptassem à nova cultura e renunciassem às suas tradições.

O livro nasce dentro desse contexto como uma proposta de resistência para as comunidades judaicas. Tem como objetivo primeiro manter a identidade dos judeus num ambiente desfavorável. Procura reforçar a fé, acordar a esperança adormecida e animar as comunidades judaicas de Alexandria, para que não se deixe seduzir pelas novidades de vida fácil, idolátrica e injusta. Mesmo assim, muitos judeus acabam aderindo ao helenismo e abandonando a própria identidade judaica. Desperta a memória do patrimônio histórico e religioso de Israel. Em oposição à sabedoria dos gregos, o livro quer revelar a verdadeira sabedoria, que é dom de Deus e não conquista de filósofos ou dom de ídolos.

Nos seis primeiros capítulos (1-6) predomina o tema da sabedoria de Deus no destino das pessoas, comparando a sorte dos justos e dos ímpios. O justo pratica a justiça que gera a vida; ao passo que o ímpio pratica a injustiça que produz a morte. O papel do governante é administrar com justiça, defendendo o povo da exploração. Seu poder vem de Deus se age com justiça.

Os três próximos capítulos (7-9) destacam a origem e a natureza da sabedoria e os meios para adquiri-la. A sabedoria não é privilégio de alguns, como pensavam os gregos e romanos. É direito de todos. Contesta a ideologia grega que considerava os cidadãos livres superiores aos escravos. Todos os seres humanos são iguais e assim deveriam ser tratados. O autor faz longo discurso sobre a sabedoria como manifestação de Deus e valor supremo na vida da pessoa, não pode ser usada para dominar e oprimir. Conclui apresentando a oração para obter a sabedoria.

Os últimos dez capítulos (10-19) tratam do papel da sabedoria e de Deus na história do povo de Israel, trazendo à memória o êxodo. Essa última parte procura apresentar de forma resumida a caminhada do povo de Israel em sua busca pela libertação. Para encorajar e manter fiel à tradição, o sábio retoma a experiência do êxodo, mostrando a ação de Deus em favor dos hebreus. Como prova desse agir de Deus, o autor apresenta sete antíteses entre um povo sábio (Israel) e um povo insensato (egípcios).

O livro da Sabedoria não traz novidades históricas nem faz grandes anúncios proféticos. Procura ler os fatos da vida, os fenômenos da natureza e os acontecimentos da história à luz da sabedoria divina. Ensina a buscar e encontrar a verdadeira sabedoria no cotidiano da vida e na história.

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