26. Livro dos Salmos | Paulus Editora

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20/04/2021

26. Livro dos Salmos

Por Nilo Luza

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O livro dos Salmos é formado por cento e cinquenta hinos, canções e orações que o povo de Israel foi rezando e cantando ao longo dos séculos de sua história. A palavra salmo vem do grego e quer dizer “canto acompanhado com instrumento musical”. A coleção desses cento e cinquenta salmos é chamada Saltério, palavra grega (psaltérion) que indica um instrumento musical de cordas. Por sua vez, o título original do livro dos salmos deriva de duas palavras hebraicas sefer tehilim (livro de louvores).

A formação dessa coleção de hinos e orações durou muitos séculos, antes de ser completada. O livro reúne orações desde a época de Davi, por volta de 1000 AC até a época grega, por volta de 200 AC. Nem sempre é possível saber a época e o lugar em que foi escrito cada um dos salmos.

Assim como é difícil saber a data e o local da composição de cada salmo, acontece o mesmo com o autor. Normalmente o Saltério é atribuído a Davi. Ele é considerado o “patrono da literatura orante”, mas sabemos que a maioria dos salmos são de autoria anônima. A indicação “de Davi”, no início de muitos salmos, é mais uma dedicatória do que propriamente autoria. Depois do exílio, o rei Davi tornou-se a expressão preferida da esperança do povo de Israel. Ele é visto como rei ideal a ser imitado. O próprio messias seria como Davi para restabelecer a esperança do povo.

A importância dos Salmos é inquestionável. O judaísmo foi marcado do início ao fim pelos salmos. Nos salmos transparece o rosto de Deus, deixando entrever a experiência que o povo de Israel tinha da divindade. É o livro do Antigo Testamento mais citado e mais usado na liturgia cristã. Em todas as liturgias católicas, rezamos ou cantamos um salmo. Os salmos são orações nas quais o cristão se reconhece e se descobre. Como bom judeu, Jesus também rezou os salmos que o povo rezava e cantava. É dessa oração em comunhão com o Pai que o Mestre encontrava força para sua prática libertadora.

Há diversas maneiras de classificar os salmos. Podemos classificá-los segundo os gêneros literários (hinos, salmos de louvor, salmos de ação de graças, salmos de súplica, salmos de confiança, salmos penitenciais, salmos reais, salmos didáticos) ou pela temática de cada salmo ou ainda pela autoria atribuída a cada salmo, sem a preocupação cronológica.

Talvez o mais conveniente seja dividir o Saltério em cinco parte ou cinco livros. A exemplo do Pentateuco, formado por cinco livros, o Saltério forma como que o “pentateuco orante” ou a “torá ou lei orante” de Israel. Ele toma essa divisão a partir do verso final de cada parte (41,14; 72,19; 89,53; 106,48; 150,1-6), que repetem a mesma doxologia: “Seja bendito Deus de Israel, desde agora e para sempre, amém”.

O livro dos Salmos é a fonte preferencial de oração do povo de Israel. Ainda hoje os judeus piedosos continuam se alimentando espiritualmente com o Saltério. Essa oração do povo hebreu tornou-se a oração predileta também da Igreja. Jesus rezou os salmos, como o povo judeu do seu tempo. Assim como no tempo de Jesus, também para a Igreja de hoje o Saltério é o livro de oração e meditação por excelência. Com razão os salmos são chamados “a oração da Igreja”. A oração do Saltério nos leva a dialogar com Deus e meditar sobre o nosso dia a dia, os altos e baixos da vida. Os salmos rezam a vida cotidiana do povo: doença, alegria, festa, peregrinação, louvor, agradecimento, celebração da vida, colheitas, entronização do rei…

Interessante perceber que os Salmos nos revelam uma oração que envolve o corpo todo: os olhos choram (6,7-8), as mãos se erguem (141,2) ou aplaudem (47,2), os pés dançam (149,3), os joelhos se dobram (95,6). Isso nos revela que a oração não é apenas algo da “alma”, mas de todo o ser da pessoa. Para os judeus, alma significa garganta, por onde circula o ar, que se tornou princípio e símbolo de vida, tanto a vida biológica como a vida intelectual e espiritual. Somos convidados a fazer dos salmos bíblicos também nossa oração cotidiana.

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