23. Segundo livro dos Macabeus | Paulus Editora

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11/01/2021

23. Segundo livro dos Macabeus

Por Nilo Luza

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O segundo livro dos Macabeus é o último do bloco dos Livros Históricos em ordem na Bíblia. Não é continuação do primeiro, são duas obras independentes e completas em si. Foi escrito no final do segundo século antes de Cristo, pouco antes do primeiro. O segundo retoma algumas personagens do primeiro, como Judas Macabeu, Antíoco Epífanes… O livro narra os fatos do tempo de Antíoco Epífanes (175-163 AC) e de Antíoco Eupátor (163-161 AC), terminando pouco antes da morte de Judas Macabeu (160 AC). Este livro é uma síntese de uma obra em cinco volumes, escrita por Jasão de Cirene, de quem nada se sabe, nem da sua obra. A intenção de Jasão era encorajar os judeus a resistirem contra a imposição do helenismo.

O autor conta uma história para mostrar que a luta em defesa do povo se fundamenta na fé, que confia no auxílio divino. Assim a resistência contra o inimigo implica fé e ação, rezar com o coração e lutar com as mãos. 2 Macabeus descreve a luta de Judas Macabeu contra Antíoco Epífanes e o empenho pela libertação do templo. O livro pode ser dividido em quatro partes.

Primeira: As cartas e as causas da revolta (2Mc 1-3): O livro inicia com duas cartas dos judeus de Jerusalém para os judeus da diáspora, que moram em Alexandria (Egito). As duas cartas têm o objetivo de convidar a comunidade da diáspora a celebrar a Festa das Tendas, ou seja, a Festa da Dedicação do templo, também chamada Hanucá, promovida por Judas Macabeu.

O episódio de Heliodoro, que quer se apoderar das riquezas do templo, é um alerta aos profanadores do santuário, onde existe uma força divina que ninguém pode controlar. O que mora no céu “fere e mata quem se aproxima do templo com más intenções”. O relato lendário procura mostrar a proteção divina sobre o santuário.

Segunda: Fidelidade e martírio (2Mc 4-7): Os acontecimentos narrados nesses capítulos deram-se durante a atuação do rei Antíoco Epífanes (175-163 AC), um dos mais duros e arbitrários generais selêucidas contra os judeus. Esta parte trata da festa instituída para comemorar a purificação do templo profanado e proteger da violência quem não quer abandonar a lei mosaica. Temos a entrada em cena da ação de Judas Macabeu, personagem central do livro. O autor não menciona o pai nem os irmãos de Judas. Sua intenção é apresentar Judas como instrumento divino para defesa do povo e para a purificação do templo.

Antíoco Epífanes impõe forte opressão contra os judeus, obrigando-os a abandonar as “leis dos antepassados” e as “leis de Deus”. A seguir profana o templo de Jerusalém, ao dedicá-lo a outras divindades. Diante da resistência de muitos judeus a essas imposições, começa uma perseguição ferrenha. O drama que se abateu sobre os judeus chega ao auge nos relatos dos mártires: torturados, queimados vivos, mortos… O caso mais conhecido é o da mãe com seus sete filhos. Aparece pela primeira vez e com clareza a crença na ressurreição (cf. Dn 12,2-3), que sustenta a resistência.

Terceira: A vitória do judaísmo (2Mc 8-13): O assunto principal é a guerrilha de Judas Macabeu, que consegue reverter a situação: até aqui o povo fiel a Deus é perseguido; agora vem a resistência e o líder (Judas) consegue diversas vitórias, reconhecendo o auxílio de Deus na vitória sobre o opressor. Com a vitória, o povo judeu celebra a Festa da Dedicação (Hanucá) e retoma o culto a Javé no templo. Enquanto Antíoco Epifanes morre abandonado nas montanhas, o povo celebra com festa a vitória. Com a morte de Antíoco Epífanes, assume o comando seu filho, Antíoco Eupátor. A parte termina com a oração e o sacrifício pelos mortos, reconhecendo que a oração pelos mortos só tem sentido se se acredita na ressurreição.

Quarta: Vitória do povo (2Mc 14-15): A última parte do livro traz a coragem e a força de quem luta em favor da causa do povo. A tentativa de derrotar Judas Macabeu e seus homens em dia de sábado não teve sucesso. Nicanor foi derrotado e partes de seu corpo foram expostas em frente ao templo. Com isso, a cidade de Jerusalém foi libertada e passou a ser governada pelos hebreus.

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