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Bíblia

12/05/2020

15. Primeiro livro das Crônicas

Por Nilo Luza

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Temos mais uma dupla de livros com o mesmo nome: 1 e 2 Crônicas. Os dicionários definem a crônica como narração histórica, seguindo uma ordem cronológica, narrativa curta sobre temas do cotidiano. A Bíblia Grega e a Vulgata chamam esses dois livros de Paralipômenos, isto é, livros que relatam as “coisas omitidas” pelos deuteronomistas. Os livros das Crônicas são obra do judaísmo pós-exílico, quando o povo vivia sob a direção de seus sacerdotes. O templo, já reconstruído, e as cerimônias eram o centro da vida desse povo.

Juntamente com Esdras e Neemias, os dois livros das Crônicas formam um conjunto histórico coerente, tendo o mesmo autor, o Cronista. São como que uma recapitulação de toda a história do povo de Deus, na visão dos sacerdotes e levitas que atuavam no templo de Jerusalém, durante a época persa. A obra do Cronista é como que uma espécie de complemento dos livros históricos (1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis).

O autor das Crônicas pertence ao grupo dos sacerdotes e levitas de Jerusalém. Escreve depois da época de Esdras e Neemias, pois ele combina a seu modo as fontes que se referem a eles. São datados por volta de 300 a.C. Mais tarde, recebeu alguns acréscimos. O clero desempenha papel importante na obra: não apenas os sacerdotes e os levitas, mas também as classes inferiores do clero, tais como, os porteiros do templo e os cantores do culto.

A separação em dois volumes aconteceu depois de Cristo. O primeiro livro das Crônicas faz como que um apanhado da história de Israel desde suas origens até o final do reinado de Davi, por volta de 970 a.C. É como que uma releitura, uma recapitulação desse período sob a ótica dos sacerdotes e levitas ligados ao templo de Jerusalém. O Cronista faz como que uma revisão da obra deuteronomista, tentando suavizar a crítica a Davi, apresentando-o livre de fraquezas e pecados, um rei ideal.

A divisão do primeiro livro das Crônicas é bastante clara. Pode ser dividido em dois grandes blocos: primeiro: listas genealógicas (1Cr 1-10); segundo: história de Davi (1Cr 11-29).

Listas genealógicas (1Cr 1-10): Nesses capítulos, temos uma série de genealogias, as quais se detêm mais na tribo de Judá e na descendência de Davi, nos levitas e nos habitantes de Jerusalém. O Cronista resume a história de Israel através de genealogias, com a intenção de situar a casa de Davi na história do povo de Deus. Essa parte é monótona e chata de ler, é uma lista interminável de nomes de pessoas e das várias tribos. Essas listas são maçantes e pouco atraentes, era o jeito de contar a história dos antepassados.

As listas de gerações procuram mostrar para a comunidade judaica do período persa que a tribo de Judá e a casa de Davi são as legítimas herdeiras da bênção de Abraão. As genealogias do Gênesis (1-12) chegam até Abraão, as do Cronista vão até Saul e preparam a história de Davi, principal personagem do Cronista. O autor, portanto, começa com Adão (1Cr 1,1), passando pelas várias tribos, e culmina com Davi (1Cr 10,14), filho de Jessé, da tribo de Judá.

História de Davi (1Cr 11-29): O autor das Crônicas não dá muita importância ao rei Saul. Sua preocupação é com o rei Davi, destacando os principais fatos positivos do seu reinado, deixando de lado os aspectos mais negativos, os episódios que comprometem sua imagem. Depois de sua eleição em Hebron (1Cr 11,1-2), Davi conquista Jerusalém, transformando-a na “Cidade de Davi”, transfere a arca da aliança para Jerusalém e vai consolidando seu reinado.

Morando em Jerusalém, Davi construiu uma tenda para a arca, centralizando o culto em sua nova capital, local de festas e de romarias, fonte de bênçãos para todo o povo, planeja construir uma “casa para a arca de Javé” (templo). Segundo o autor, a bênção de Javé sobre Davi manifesta-se nas vitórias do rei sobre os inimigos do povo.

Nos últimos, Davi organiza os preparativos para a construção do templo e todos os serviços de quem se dedica às funções no templo, função dos levitas, dos sacerdotes, dos cantores, dos guardas e porteiros…

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