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Família

31/10/2017

Uma ponte sobre águas turvas…

Por Suzana Coutinho

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Na década de 1970, a dupla Simon e Garfunkel, vivendo um tempo de incertezas, mas também de esperanças, ousou gravar uma canção que falava de se tornar uma ponte sobre águas turvas. Em 2017, muitas turbulências mexem com o mundo e se não fosse certa indiferença de um lado, e de ainda haver muitas resistências baseadas na esperança de dias melhores em outro, a sociedade poderia estar já em colapso. Há sinais de morte se espalhando sobre os povos: guerras, massacres, conflitos com motivações racistas e xenofóbicas, fome, escravidão… Quem ousa dizer, para os que se sentem perdidos, ameaçados, cansados e desmotivados que, nesses momentos de angústia e solidão, poderão encontrar alguém como ponte sobre as águas turvas?

Nossas famílias cristãs deveriam ser como essas pontes, não porque os momentos difíceis deixarão de existir como num passe de mágica, ou porque, fechadas as portas por medo, as nossas casas se tornarão espaços de refúgio e fuga da realidade. A ponte não evita a tormenta, mas é lugar seguro para enfrentá-la.

Nossas crianças e jovens vivem as dificuldades próprias do amadurecimento humano e ainda se veem numa sociedade com tantos problemas que, muitas vezes, não conseguem, sozinhos, enfrentar seus medos e angústias. Ouvi-los, animá-los, encorajá-los a buscar soluções para as dificuldades de convivência social pode se tornar essa ponte sobre as tormentas. Viver e conviver com a esperança, que inspire a elaboração de projetos pessoais, comunitários e sociais que tragam luz para esse mundo, pode ser caminho para a superação das atitudes que promovem a morte, construindo, por outro lado, pontes que se sustentem sobre os pilares do amor.

Como lembrou o Papa Francisco, “também nestes nossos dias, dilacerados pelas tragédias da guerra e insidiados pela funesta vontade de acentuar as diferenças e fomentar os conflitos, seja levada a todos, com renovado ardor, e infunda confiança e esperança a Boa Nova de que, em Jesus, o perdão vence o pecado, a vida derrota a morte e o medo e triunfa sobre a angústia” (Carta de 22 de outubro de 2017).

Que nossas famílias possam ser pontes sobre águas turvas, luz em dias de escuridão, amizade para os dias difíceis, conforto para a dor. Que, pela força amorosa de Cristo, sejam sinais de seu amor, não só para os seus, mas todo mundo, “luz e sal da terra” (Cf. Mt 5,13-16).

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