Por que maio é o mês mariano? | Paulus Editora

Colunistas

Religião e Comunicação

11/05/2024

Por que maio é o mês mariano?

Por Darlei Zanon

Maria é, para cada cristão, Mãe e modelo, caminho para Deus, verdadeira ponte entre o ser humano e seu Filho divino. O próprio Concílio Vaticano II ressaltou seu importante papel de Mãe e Rainha. Um dos seus principais documentos, a Sacrosanctum Concilium, recorda que: “Na celebração do ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera com particular amor Maria Santíssima, Mãe de Deus, indissoluvelmente unida à obra da salvação de seu Filho; em Maria, anuncia e exalta o fruto mais excelso da Redenção; em Maria, a Igreja contempla com alegria, como em uma imagem puríssima, aquilo que ela mesma deseja e espera ser.” (SC 103)

Mas como e por que o mês de maio se tornou o mês mariano por excelência? Tudo se deve à tradição da Igreja e à grande devoção que os católicos sempre dedicaram à Nossa Senhora. É importante recordar que nem sempre foi assim. As primeiras referências na história do cristianismo a um mês inteiramente dedicado à Mãe de Jesus remontam ao século XII, na Igreja oriental. Naquele período, porém, o mês mariano era agosto. Isso porque nossos irmãos ortodoxos sempre tiveram grande estima pela chamada “Dormição de Maria”, ou Assunção, proclamado dogma da Igreja pelo papa Pio XII, no ano de 1950. Ora, a Assunção é celebrada em agosto, portanto, toda a preparação para a festa, que era solenemente chamada “Quaresma da Dormição”, era naquele mês, sendo ele o mês mariano, com a oração diária do Ofício Mariano.

A Igreja copta (no norte da África), por outro lado, vivia esta mesma solenidade por ocasião da festa da Imaculada Conceição, outro dogma da Igreja, proclamado no dia 8 de dezembro de 1854, pelo Papa Pio IX. Temos, assim, o mês de dezembro como mês mariano, coberto de solenidade e unindo a devoção mariana ao Natal, festa maior da maternidade divina.

Na Igreja ocidental, sobretudo na Europa, também sempre foi muito forte o amor e carinho pela Mãe de Deus e nossa Mãe. Como na Europa o auge da primavera é o mês de maio, era neste período que se recolhiam flores em abundância para enfeitar as capelas e altares dedicados à Virgem. São Felipe Neri (século XVI), em Roma, foi um dos maiores impulsionadores desta tradição, incentivando sobretudo os jovens e as famílias a ornamentarem seus oratórios e intensificarem suas orações a Maria durante o mês de maio.

Para aumentar a devoção, a partir daquele século XVI, surgiram sugestões de meditações marianas para cada dia do mês mariano. Um dos mais antigos é o do monge beneditino alemão Wolfang Seidl, mas muitos outros circulavam entre os devotos, tanto que temos entre o século XVII e XVIII um dos livros mais conhecidos e difundidos sobre a devoção mariana, escrito por são Luís Maria Grignion de Montfort.

Com a fundação das congregações marianas, no ano 1725, o costume se ampliou enormemente, difundindo-se por toda a Igreja. A motivação era para que em cada família se fizesse um altar em honra à Nossa Senhora e se rezasse a ela todos os dias do mês de maio. Os jesuítas trouxeram inclusive para o Brasil esta tradição, junto ao costume de coroar Maria no último dia do mês de maio. Naquele período pré-conciliar o dia 31 era dedicado a Maria Rainha, que passou para o dia 22 de agosto depois da reforma litúrgica. No dia 31 de maio celebramos agora a festa da Visitação de Nossa Senhora, que não deixa de ter a mesma solenidade e por isso se mantém em muitos lugares a tradição da coroação de nossa Mãe e Rainha.

Para concluir, é sempre bom recordar que o papa Paulo VI dedicou uma carta encíclica (“Mês de maio”, de 29 de abril de 1965) para recordar a importância deste mês, pedindo a todo o povo cristão que intensificasse a Maria sua orações durante o mês de maio, sobretudo pedindo por duas intenções, que se mostram hoje muito atuais. A Maria, que é o caminho que leva a Cristo, o papa confia o êxito do Concílio Vaticano II, que teria sua última sessão alguns meses depois, no dia 8 de dezembro de 1965, solenidade da Imaculada Conceição. Além de rezar pelos 60 anos da conclusão do Vaticano II, nossas orações hoje devem se intensificar pelo êxito do Sínodo em curso na Igreja. O segundo motivo pelo qual Paulo VI apela às orações de todos os cristãos é pela paz no mundo. Também este, infelizmente, de grande atualidade.

Temos, portanto, diversos motivos para vivermos intensamente este mês de maio, intensificando nossas orações, ornamentando nossos altares, transformando nosso coração para acolher sempre mais Maria na nossa vida.

nenhum comentário