DISPONÍVEIS PARA A CONVERSÃO?
O Evangelho (Mt 21,28-32) é aberto convite à conversão. A história contada por Jesus aos sacerdotes e anciãos do povo traz o caso de um pai que convida dois de seus filhos para irem trabalhar na vinha. O primeiro, impulsivamente, nega-se a ir, mas depois vai. O outro, com gestual “de fachada”, diz que irá, sim, mas depois não vai. Jesus questiona seus interlocutores: “Qual dos dois fez a vontade do Pai?” (v. 31a). Mais que depressa, respondem: “O primeiro!” A trave dos próprios olhos não lhes permitia ver que Jesus estava se referindo a eles: “Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precederão no Reino” (v. 31b).
Essa história ajuda a entender que o primeiro filho é figura dos pecadores que se convertem à justiça do Reino. O segundo, por sua vez, é figura dos interlocutores de Jesus – e dos que a eles se assemelham –, os quais se consideram justos e não se convertem. Embora não fossem modelos de vida, os primeiros, diante da pregação de João Batista, converteram-se e mudaram de vida, enquanto os segundos não.
Ensinou o papa Francisco: “Com esse simples exemplo, Jesus quer superar uma religião entendida apenas como prática exterior e habitual, que não incide na vida e nas atitudes das pessoas, uma religião superficial, apenas ‘ritual’, no mau sentido da palavra”.
A história igualmente nos ajuda a perceber que Deus nunca desiste de nós. Mesmo diante do nosso “não”, aguarda com paciência nosso “sim” e, diante da nossa decisão de voltar, acolhe-nos com misericórdia. Grave seria considerar-nos superiores aos demais, alimentando espírito de beligerância – também nas redes sociais – e propagando a discórdia, em vez de promover a cultura do encontro fraterno.
Conversão é processo contínuo. O Evangelho questiona a forma como vivemos a vida cristã, que não se solidifica com belas pregações, sustentadas por mensageiros com aparatos estéticos vistosos, em rituais incompreensíveis, mas sim com compromissos concretos, em sintonia com as bem-aventuranças (Mt 5,1-12).
Pe. Darci Luiz Marin, ssp

É um periódico que tem a missão de colaborar na animação das comunidades cristãs em seus momentos de celebração eucarística. Ele é composto pelas leituras litúrgicas de cada domingo, uma proposta de oração eucarística, cantos próprios e adequados para cada parte da missa e duas colunas, uma reflete sobre o evangelho do dia e a outra sobre temas relacionados à vida da Igreja.
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