ENCONTRO DE CORAÇÕES
O Evangelho de hoje (Mt 18,15-20) oferece uma espécie de mapa ou roteiro para a vida em comunidade, culminando no poder da oração nascida de um “acordo”.
A palavra “acordo” transcende o mero consentimento; ela nos remete à raiz latina cor (coração), definindo “concordar” como “união de corações”. Concordar é ter os corações em sintonia, entrelaçados numa sinfonia permeada de sentido e grandeza de alma.
O caminho para essa sinfonia começa na correção fraterna (v. 15-18), que poderia ser comparada ao ofício de afinar um instrumento em desarmonia com os outros instrumentos da orquestra. “Se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isto vos será concedido por meu Pai que está nos céus” (v. 19).
Estar de acordo é permitir que os corações se toquem, numa entrega mútua. Essa entrega ecoa no convite litúrgico: “Corações ao alto”. Ao elevarmos os corações a Deus, superamos toda divisão. Deus é a união perfeita. O contrário é diabolôs – aquele que divide.
Estar de acordo é como uma sinfonia divina, que, ao “soar junto” com nossa humanidade frágil, ecoa a vontade de Deus e torna a comunidade verdadeira orquestra: “um só coração e uma só alma” (Atos 4,32).
Ao superarmos as ofensas, transformamo-nos em uma orquestra coesa. Essa sinfonia de corações faz nossos olhos brilhar e a melodia ressoa em nosso peito, onde Cristo se manifesta: “eu estou ali, no meio deles” (v. 20).
A sinfonia não é tão somente um pacto, mas a entrega mútua que nos lança no mesmo horizonte de sentido. Daí a prece em comum tornar-se a voz da Trindade. Essa experiência de unidade viva é o milagre: o céu se inclina quando nossa existência se funde na oração.
A liturgia de hoje, portanto, infunde em nós uma esperança serena: o esforço pela reconciliação jamais é em vão. Quando as feridas são tratadas e os corações se unem, a graça da presença divina inunda o ambiente. A unidade fraterna é o palco mais sagrado onde o poder do Senhor se revela. Deus nos ajude!
Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp

É um periódico que tem a missão de colaborar na animação das comunidades cristãs em seus momentos de celebração eucarística. Ele é composto pelas leituras litúrgicas de cada domingo, uma proposta de oração eucarística, cantos próprios e adequados para cada parte da missa e duas colunas, uma reflete sobre o evangelho do dia e a outra sobre temas relacionados à vida da Igreja.
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