Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria | Paulus Editora

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08/09/2026

Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria

Por Jennifer Silva

 

A Igreja celebra, em 8 de setembro, a Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria, uma das mais antigas festas marianas. Sua origem é tradicionalmente ligada à Igreja de Jerusalém e à dedicação de uma igreja dedicada a Maria, no local associado pela tradição à casa de Joaquim e Ana e ao nascimento da Virgem. Em Roma, a festa foi introduzida pelo Papa Sérgio I, no final do século VII, juntamente com outras celebrações marianas. Assim, a Natividade de Maria passou a ocupar um lugar próprio na liturgia da Igreja, ao lado das outras duas celebrações da Natividade presentes no calendário romano: a de Jesus, celebrada no Natal, e a de São João Batista, em 24 de junho.

Os Evangelhos, contudo, não narram o nascimento de Maria nem fornecem informações sobre seus pais, sua infância ou o lugar onde nasceu. Esses dados aparecem em antigas tradições cristãs, especialmente no Protoevangelho de Tiago, escrito apócrifo provavelmente composto no século II. É nesse contexto que surgem os nomes de Joaquim e Ana, bem como relatos sobre o nascimento e a infância de Maria. A celebração litúrgica da Natividade de Maria situa-se, portanto, no âmbito da fé e da tradição da Igreja, e não na transmissão de uma narrativa evangélica sobre seu nascimento.

Mais do que recordar o nascimento de Maria, a celebração contempla o lugar singular que lhe foi confiado no mistério da salvação. São João Paulo II expressou essa compreensão por ocasião da festa da Natividade de Maria, em 1980, ao afirmar que, com o nascimento da Virgem, Deus oferecia ao mundo “quase a garantia concreta de que a salvação já estava iminente”. A Natividade é, assim, compreendida à luz da missão que Maria receberia no desígnio de Deus e de sua relação com a vinda do Salvador.

Essa perspectiva é aprofundada por Bento XVI, em 8 de setembro de 2012, por ocasião do XXIII Congresso Mariológico Mariano Internacional, em Castel Gandolfo. Ao comentar um trecho de Santo André de Creta, proclamado no Ofício das Leituras daquele dia, o Papa recordou: “A celebração de hoje […] honra a natividade da Mãe de Deus. Mas o verdadeiro significado e o fim deste evento é a encarnação do Verbo. De fato, Maria nasce, é amamentada e cresce para ser a Mãe do Rei dos séculos, de Deus”. A festa encontra, desse modo, seu sentido mais profundo não apenas no nascimento de Maria, mas na vocação para a qual sua existência seria preparada: acolher o Filho de Deus e participar do mistério da Encarnação.

A vida de Maria revela uma existência inteiramente orientada para Deus e para Cristo. Na Anunciação, sua fé e sua disponibilidade tornam-se resposta ao desígnio divino, e toda a sua caminhada permanece marcada pela confiança e pela fidelidade. Para os cristãos de hoje, sua Natividade recorda que Deus prepara, na simplicidade de uma vida entregue a Ele, os caminhos de sua graça. Celebrar o nascimento de Maria é, assim, contemplar aquela que acolheu o Salvador e aprender, com ela, a abrir o coração a Deus, perseverar na fé e confiar em sua presença mesmo diante das incertezas da vida.

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