MARIA ENCORAJA A CHEGADA DO NOVO
O Evangelho de João é caracterizado por sete sinais (da nova criação), a fim de despertar e sustentar a fé em Jesus Cristo e possibilitar que tenham a vida os que nele creem (Jo 20,31). A passagem de hoje descreve o primeiro desses sinais, repleto de simbologia: as bodas de Caná, realizadas no “terceiro dia”, prenúncio da Páscoa.
O casamento simboliza a união de Deus com a humanidade, realizada em definitivo em Jesus. Para João, sem a presença de Jesus, a humanidade vive a festa de casamento sem o essencial: o vinho.
Maria simboliza a comunidade nascida da fé em Jesus Cristo. Cabe-lhe desfazer situações de dificuldade enfrentadas pelo povo de Deus. A atuação de Maria denota ter chegado o final da Antiga Aliança, antecipando a hora de Jesus. Confirmam-no os detalhes das talhas: seis é número incompleto; são feitas de pedra, lembrando as tábuas de Moisés; e estão vazias. Maria alerta para o desgaste da Antiga Aliança, fundada nas prescrições da Lei, e encoraja a transição. Por meio das palavras “eles não têm mais vinho” (v. 3), pede a Jesus um adiantamento – já que a hora dele “ainda não chegou” (v. 4) – do vinho da Nova Aliança, a qual culminará na hora da cruz. Para muito além do desejo de evitar o constrangimento do casal diante dos convidados, a atuação de Maria é grito de alerta para a salvação do mundo. Afinal, Jesus veio para que todos tenham vida (Jo 10,10).
Por outro lado, nos costumes religiosos de então, usava-se água nos rituais de purificação. Por meio do ritual legalístico, era abafado o medo da condenação, resultante do pecado. Ora, religião verdadeira não se pauta no medo, mas na recepção do vinho generoso do Espírito, que faz romper o legalismo que aprisiona.
O episódio de Caná simboliza o que vai acontecer com Jesus: com sua palavra e ação, transforma o relacionamento das pessoas com Deus e delas entre si. É convite a nos tornarmos suas testemunhas no mundo.
Pe. Darci Luiz Marin, ssp

É um periódico que tem a missão de colaborar na animação das comunidades cristãs em seus momentos de celebração eucarística. Ele é composto pelas leituras litúrgicas de cada domingo, uma proposta de oração eucarística, cantos próprios e adequados para cada parte da missa e duas colunas, uma reflete sobre o evangelho do dia e a outra sobre temas relacionados à vida da Igreja.
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