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Bíblia

11/08/2017

Livros Históricos 8. Neemias

Por Nilo Luza

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Como vimos, Esdras e Neemias andam bem juntos, a ponto de, a princípio, formarem um único volume. Neemias, assim como Esdras, teria sido deportado para a Babilônia e permanecido lá. Na Babilônia exerceu o cargo de copeiro do rei persa, função muito próxima ao rei.

Tendo sabido da situação de abandono em que se encontrava a cidade de Jerusalém, com os muros destruídos desde a tomada de Nabucodonosor, que deportou parte da população para a Babilônia, ficou consternado com a situação e solicitou permissão para voltar a Jerusalém e reconstruir os muros da cidade.

Nessa difícil tarefa de reconstruir as muralhas da cidade, encontrou resistência por parte do povo que não foi deportado e a recusa dos judeus de receber ajuda dos samaritanos. É o eterno conflito entre judeus (sul) e samaritanos (norte). Outro problema foi o conflito entre os cativos, que se consideravam o “verdadeiro povo de Deus porque não teriam sido afetados por certos problemas”; e, por outro lado, o povo que não foi deportado, que se considerava o “verdadeiro povo de Deus porque não se misturou com os povos e as culturas das nações imperiais”.

A reconstrução das muralhas causou certo impacto na população mais pobre. Neemias teve que enfrentar protestos na comunidade; por isso, mudou de estratégias e promoveu algumas reformas sociais para resgatar os direitos mínimos das pessoas simples e pobres. O capítulo 5 nos mostra essa realidade sofrida do povo.

Podemos dividir o livro de Neemias em três partes: 1) reconstrução das muralhas de Jerusalém (1-7); 2) promulgação da lei de Esdras (8-9); 3) Neemias e a comunidade de Jerusalém (10-13).

Os capítulos 1-7 vão dar destaque para a pessoa e a obra de Neemias. Ao longo desses capítulos, Neemias é apresentado como pessoa consciente da sua missão e devoto da ajuda divina. Como governador nomeado de Judá, Neemias teve força e coragem para levar em frente sua missão de reconstruir as muralhas da cidade. Foi homem de raízes judaicas e de confiança do império persa, isso facilitou seu trabalho.

A segunda parte (8-9) apresenta a grande assembleia em torno da lei. O sacerdote Esdras preside uma solene liturgia numa praça em Jerusalém, onde o povo está reunido e faz sua profissão de fé no livro lido. Essa assembleia é considerada como que o nascimento do judaísmo.

A última parte (10-13) traz a preocupação de Neemias pela população escassa de Jerusalém. Uma das propostas é repovoar a cidade. Purificou o templo e expulsou dele os estrangeiros. Neemias não foi tão drástico como Esdras, mas consegue o consentimento do povo de não realizar mais casamentos mistos (judeus com estrangeiros e vice-versa).

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