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Família

13/02/2017

Lição que vem “do berço”

Por Suzana Coutinho

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Em fevereiro de 2017, em Vitória (ES), com a greve da Polícia Militar, o que se viu nas ruas da cidade foram ondas de violência, furtos e saques realizadas não por “bandidos profissionais”, mas por pessoas “comuns”. Um texto veiculado nas mídias sociais refletiu sobre esse fenômeno, mostrando a incapacidade de muitos de manter o respeito na convivência social, sem a presença da polícia. Essa realidade se repete em outras situações, como quando um caminhão sofre um acidente e de pronto muitos motoristas de outros veículos e moradores da região realizam o saque da carga. O que isso provoca a família a pensar e agir? Como temos trabalhado as regras de convívio social no seio da família?

É verdade que nem toda regra construída em uma sociedade é, por si só, boa. Mas, algumas permitem que se possa viver no respeito às pessoas. O problema é quando, acima da vida como direito de todos, coloca-se o bem estar pessoal, ou ainda a ideia de “levar vantagem em tudo”. Em situações assim, não é que não se tenha regras, o problema é: quais regras regem o comportamento das pessoas? Muitas delas são aprendidas ou desconstruídas na convivência familiar.

O Diretório da Pastoral Familiar (CNBB, 2004) recorda que é missão da família “formar pessoas, irradiar a vida, criar condições para o desenvolvimento integral de todos os seres humanos” (n. 97). E completa: “A família é, portanto, a primeira escola das virtudes sociais de que as sociedades têm necessidade”. Essas virtudes estariam na relação de amor e piedade para com Deus e para com as outras pessoas (n. 116).

Portanto, se é desejo da família que as relações sociais sejam enraizadas na solidariedade, no bem comum, na paz e no respeito recíproco, esses valores devem ser cultivados, por atos e palavras, no seio da família. Deve ela também “corrigir” os contra-valores aprendidos em outros ambientes nos quais os filhos também vivem, ajudando-os a discernir entre o certo e o errado, tendo como base uma educação iluminada pelo Evangelho de Jesus.

É na família que se aprende, não só com palavras, mas principalmente com exemplos, a respeitar as diferenças, as opiniões divergentes, os espaços privados e os públicos, o direito de cada um e o de todos. Mas, também, se “aprende” a levar vantagens, sem considerar o que possa acontecer com a outra pessoa. Por isso, é preciso que a família se compreenda como ambiente educador e analise seu modo de proceder e os valores que deve ensinar aos seus membros.

1 comentário

15/2/2017

Eledil Bitencurt

Perfeita a reflexão. Levar vantagem, dar jeitinho são maneiras de burlar os valores que tem que vir do berço.