Comunicação não-hostil | Paulus Editora

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Religião e Comunicação

17/02/2022

Comunicação não-hostil

Por Darlei Zanon

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O Dicastério para a Comunicação do Vaticano organiza no próximo 24 de fevereiro um encontro online intitulado “A escuta para a boa comunicação”, como proposta concreta para aprofundar a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações e continuar a refletir juntos sobre os desafios da comunicação nas redes sociais. A experiência do projeto “Parole O_Stili” (jogo de palavras que em italiano pode ser lido como “palavras hostis” e também “palavras e estilos”) servirá como ponto de partida para discutir o tema. Trata-se de um projeto social de sensibilização contra a violência das palavras no mundo virtual, um “manifesto” para a comunicação não-hostil, composto por 10 princípios, ou 10 “mandamentos”, se preferirmos. Foi inicialmente apresentado por um grupo de intelectuais e profissionais da comunicação em um evento na Itália (Trieste) no ano 2017 e tem como objetivo principal contrapor-se à violência das palavras e aos abusos e “excessos” na comunicação atual, especialmente nas redes sociais. Este Manifesto sublinha o poder da palavra e da gentileza, com a ambição de educar para um novo estilo de presença em rede, mais positivo e tolerante. Neste sentido, é uma interessante proposta à exortação que o Papa nos faz para promover a “cultura do encontro” e o “apostolado da escuta”.

Mas vamos ao Manifesto (cujo projeto completo pode ser consultado e aprofundado no site paroleostili.it): O primeiro princípio afirma que “o virtual é real”, devemos dizer e escrever na internet somente as coisas que temos coragem de dizer pessoalmente. O segundo recorda que “somos aquilo que comunicamos”, ou seja, as palavras que escolhemos refletem a pessoa que somos, nos representam. O terceiro: “as palavras dão forma ao pensamento”, isto é, devemos tomar todo o tempo necessário para exprimir da melhor forma possível o que pensamos, evitando assim qualquer confusão ou mal-entendido. O quarto “mandamento” nos convida a escutar primeiro de falar, com atenção e abertura, e faz-nos perceber que ninguém tem sempre a razão, inclusive nós mesmos.

“As palavras são uma ponte” é o quinto princípio, que revela de modo exemplar também a insistência do Papa Francisco de criar pontes e destruir barreiras. Este ponto nos convida a dialogar, a escolher bem as palavras para nos aproximarmos do outro, a fim de compreender e ser compreendido, alimentando a “cultura do encontro”. O sexto mandamento é muito importante, pois nos recorda que “as palavras têm consequências”. Especialmente nas redes sociais, as pessoas parecem esquecer que tudo o que dizem, por mais insignificante que possa parecer, tem consequências, pois é lido por um número enorme de pessoas e tem repercussão incalculável. Exatamente porque não podemos prever ou controlar os resultados, devemos “compartilhar com responsabilidade”, postar ou partilhar fotos, textos ou vídeos somente depois de tê-los lido, compreendido e avaliado. É uma grande responsabilidade, pois uma vez publicado, não temos mais controle sobre ele, não podemos voltar atrás.

O oitavo princípio afirma que “ideias podem ser discutidas, pessoas devem ser respeitadas”. Não podemos transformar em inimigas as pessoas que sustentam opiniões ou pensamentos diferentes dos nossos. Podemos discordar das ideias, mas a pessoa deve vir sempre em primeiro lugar. Como consequência temos o seguinte ponto: “os insultos não são argumentos”. É muito comum hoje no mundo virtual lermos insultos vazios, frutos de uma visão superficial e de uma incapacidade de dialogar. Devemos fugir de qualquer forma de insulto ou comentários agressivos. Quando estes são dirigidos a nós devemos ignorá-los, pois respondê-los é uma forma de fortalecer o ciclo de comunicação hostil. Por fim temos um princípio que está subentendido na mensagem do Papa Francisco para o Dia das comunicações deste ano 2022, e que foi tema específico da mensagens do Papa Bento XVI em 2012: “O silêncio também comunica”. Por vezes, a melhor opção é permanecermos calados, em silêncio, apenas escutando.

Todos esses elementos da comunicação não-hostil ajudam-nos a nos relacionarmos melhor com o nosso “próximo”, mas também nos ensinam como testemunhar a nossa fé no ambiente digital, como evangelizar no ambiente virtual, como comunicar a beleza do Evangelho e o amor de Deus aos outros. Até porque, evangelizar é comunicar… comunicar a história da Salvação, comunicar o projeto de Deus, comunicar o Evangelho de Cristo. E todo o cristão é chamado a evangelizar, especialmente na internet e nas redes sociais.

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