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Família

17/07/2017

A voz da autoridade familiar

Por Suzana Coutinho

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É comum ouvir que os pais precisam exercer sua autoridade. O difícil talvez seja compreender o sentido de “autoridade” nesse contexto. De um lado, o medo de tornar a relação conflitante faz muitos adultos abrirem mão do “não”, da “disciplina” e, por assim entenderem, da própria autoridade. De outro, processos educativos mal construídos levam ao estresse, à raiva, ao sentimento de perda da autoridade que leva a gritos, ofensas, ameaças de surras ou castigos que, muitas vezes, não são cumpridos. Transforma-se a casa numa verdadeira “torre de Babel”: os que lá estão não se entendem, não se escutam, não dialogam.

Não são gritos ou palmadas, ou ainda promessas de violência física que darão aos adultos a autoridade que eles precisam dentro de um processo educativo das novas gerações. O que leva as pessoas a terem e a exercerem a autoridade é, antes de tudo, uma relação de confiança e de cuidado, com o equilíbrio necessário com a formação da responsabilidade e da maturidade do outro (geralmente, o mais jovem).

Ensina o Diretório da Pastoral Familiar (CNBB, Doc. 79), que “é necessário que os pais vivam primeiro aquilo que pretendem que os filhos vivam depois. Os caminhos educacionais são semelhantes às trilhas nas florestas: não bastam os sinais indicadores; é preciso um guia, que vá à frente e mostre, com a sua experiência, as passagens mais seguras, os lugares menos perigosos, as picadas mais diretas. Da mesma forma, a alegria, a paz e todos os valores de um lar têm de encontrar a sua fonte na vivência dos próprios pais” (n. 136). Assim, não se grita para pedir que o outro não grite, não se bate para dizer ao outro que não se pode bater, não se humilha, para exigir do outro respeito.

O diálogo sereno e a firmeza de princípios, sempre claramente explicitados numa linguagem que os mais jovens possam compreender, e a coerência entre o que se fala e o que faz são passos importantes para que os pais possam exercer sua autoridade. Esta é parte integrante da responsabilidade em educar, em cuidar das novas gerações, para que possam amadurecer e serem responsáveis em suas escolhas e decisões. Trata-se de apresentar os caminhos que a família deseja seguir, para vivenciar os princípios que a ela são caros, como a honestidade, o respeito pelas pessoas, a partilha, o cuidado com o próprio corpo e com o dos demais e a vivência das responsabilidades próprias a cada pessoa e fase da vida, entre outros.

1 comentário

17/1/2018

Giseli

Que texto!