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Família

18/09/2017

A família e a iniciação cristã

Por Suzana Coutinho

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É comum que catequistas relatem que crianças e adolescentes chegam à catequese sem a devida iniciação da vida cristã em suas famílias. Pais e mães declaram que a obrigação de ensinar as “coisas da igreja” é dos e das catequistas. Talvez, esqueçam-se do compromisso que assumiram no dia do casamento: o de educar, na fé, os filhos e filhas que Deus lhes concedesse. Talvez, assim como pensam da escola, transfiram para os “profissionais” a responsabilidade de educar seus filhos, por acharem que não conseguiriam fazer isso. Muitos sentem dificuldades em assumir tamanho desafio, não se sentem preparados ou se consideram desqualificados para a função.

Mas, os pais, ou os que assumem sua função na família, são os primeiros responsáveis em educar seus filhos, em iniciá-los na vida em sociedade e, consequentemente, na comunidade de fé que escolheram seguir.

Já há algum tempo, sente-se o afastamento das famílias desse compromisso: muitas crianças chegam à catequese sem conhecer sequer o sinal da cruz, as orações como o Pai-Nosso e a Ave-Maria, ou sem prática alguma de participação comunitária (terços, novenas, missas). Não sabem se comportar diante do sagrado, como guardar o silêncio respeitoso e meditativo, os gestos físicos e a atitude de coração no ambiente orante. Mesmos os adultos sentem grande dificuldade nesses itens, não conseguindo ensinar aos pequenos tais posturas, nem por palavras, nem pelo testemunho.

Ninguém nasce sabendo. As pessoas aprendem com seus grupos de convivência a se comportarem nos espaços que ocupam, a entenderem os sentidos e os símbolos que os cercam. Na vida cristã é a mesma coisa: cabe aos adultos ensinar aos mais jovens a viver a fé, pelas palavras e, principalmente, pelo testemunho. Iniciar a pessoa à vida cristã é tarefa da Igreja, entendida como todo o povo, onde se encontram os pais e mães. Recorda o Documento 107 da CNBB (Iniciação à vida cristã): “a família é chamada a ser lugar de iniciação, onde se aprende a rezar e a viver os valores da fé. Aos pais cristãos cabe a primeira responsabilidade pela formação de seus filhos no seguimento de Jesus Cristo” (n. 199).

Mas, ninguém pode dar do que não tem. Então, é preciso pensar também a educação da fé dos adultos que se sentem desafiados nesse compromisso: iniciar as famílias na vida cristã para que elas possam iniciar seus filhos nesse caminho. Uma catequese permanente, familiar, que leve os adultos à maturidade da fé, ajudando-os no compromisso de educadores cristãos.

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