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Família

14/03/2017

A família diante da caminhada quaresmal

Por Suzana Coutinho

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Estamos vivenciando o período quaresmal. De forte contexto penitencial, em preparação para a celebração da Páscoa, este tempo litúrgico nos convida a retomarmos o sentido de nosso batismo. É tempo de oração, penitência e esmola, não por força do hábito, muito menos por superstição: é para nossa renovação como filhos e filhas de Deus. Como prática de vida e fé, a quaresma também é momento para a família buscar caminhos de conversão. Animada pela Campanha da Fraternidade, a família é convidada a rever sua relação com Deus, com os outros e com a criação.

Em sua mensagem anual, para a quaresma, o Papa Francisco propõe que este seja um tempo de abrir-se à Palavra de Deus e aos outros. Com o tema “A Palavra é um dom. O outro é um dom”, ele salienta o forte convite à conversão que o tempo quaresmal proporciona, voltando nosso coração à Deus, nossa vida à amizade com Ele. No entanto, recorda que esta amizade filial não está completa se falta a relação fraterna.

Inspirando-se na parábola do rico e do podre Lázaro (Lc 16, 19-31), Francisco aponta alguns caminhos de conversão: o outro é um dom! Por isso, não pode passar desapercebido, portanto, é preciso abrir a porta aos necessitados, reconhecendo o rosto de Cristo neles, o verdadeiro sentido para a esmola. Revela o perigo do amor ao dinheiro, da vaidade e da soberba e o remédio para tal mal: reconhecer o verdadeiro Deus em nossas vidas e ações e servi-lo. Daí, podemos encontrar maior sentido em nossa penitência e no jejum. Mas, também a Palavra é um dom. A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão em nossos corações e nos orientar de novo para Deus. A oração nos fortalece nessa intenção.

Repensemos também nossas práticas quaresmais que vão se enfraquecendo do sentido a que se destinam, com propostas tão superficiais, sem realmente promoverem uma mudança (= conversão). De que adianta deixar de comer isso ou aquilo na quaresma e se fartar no Sábado Santo, quando milhares de Lázaros mal conseguem as sobras das nossas mesas para sobreviver? Quem é o Deus de nossas vidas? Que imagens de Deus temos colocado no lugar do verdadeiro, aquele anunciado por Jesus e que nos chama à amizade com ele?

Transformadas verdadeiramente pelo espírito de conversão, as famílias, nesta e nas próximas quaresmas, podem ajudar a “promover a cultura do encontro”: com Deus, com os outros, com a criação, abrindo as portas ao frágil e ao pobre, para, assim, “viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa”.

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