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Família

21/08/2013

A “cultura do descartável” e a família

Por Suzana Coutinho

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O Papa Francisco tem alertado os católicos sobre a “cultura do descartável”. Para ele, jovens e idosos são as maiores vítimas de uma sociedade onde tudo se desfaz com muita facilidade, inclusive a vida humana. Para as famílias, fica essa urgente tarefa de repensar como a cultura do descartável tem se manifestado em seu cotidiano. Será que também nós não nos deixamos influenciar, de forma inconsciente e, às vezes, consciente, por essa cultura? E como enfrentar esse desafio, quando tantos outros setores da sociedade transmitem, fortemente, esse contra valor cristão?

A família é chamada a repensar quais valores tem incorporado não só na educação que “dá” a seus filhos, mas, principalmente, no testemunho que parte da vivência de seus valores. Quando a TV, o cinema, os livros, o sistema econômico, o tipo de manifestações artísticas que está em alta hoje, entre outras áreas da sociedade, assumem a “cultura do descartável” e a divulgam tão fortemente, a família cristã se propõe um outro projeto. Que desafio! Mas, é bom lembrar que as primeiras comunidades cristãs também enfrentaram uma cultura fortemente contra os valores ensinados por Jesus e, por isso, diz o livro dos Atos dos Apóstolos, eram admirados e a força desse testemunho convertia (cf. Atos 2, 42ss; 4,32ss). Contra o valor do ter, propuseram o valor do ser; contra o egoísmo e a ganância, viveram a partilha; contra uma religião que privilegiava poucos, valorizaram a vida comunitária. Não é um pouco parecido com o que hoje se vive?

A cultura do descartável descarta tudo, inclusive as pessoas. Vive-se o sentido de que tudo é provisório, nada é para durar; isto está nos móveis, nas músicas, nos aparelhos eletrônicos e nas relações humanas. A família também ficou descartável: se der certo, bem, se não der… Perde-se o sentido do esforço de conversão, da mudança necessária para o outro e com o outro, sobrepõe-se as decisões rápidas às reflexões que exigem amadurecimento, experiências, convivências. Tudo é para agora, rápido e fácil, como comida pré-cozida, que sacia, mas muitas vezes não nutre.

Como família, colocar-se contra a cultura do descartável pede uma reflexão madura, séria, de tomar coragem para viver outros valores, capazes de remodelar as relações humanas, com afeto, respeito e interesse de uns pelos outros. Começa-se em casa, para expandir para as ruas, escolas, trabalho, transformando esses lugares em espaços de “convivência” e não apenas de “estar”.