OS TALENTOS DE DEUS EM NÓS
A parábola dos talentos nos convida a pensar em como estamos utilizando e fazendo frutificar os dons que Deus nos confia. Deus confia seus dons segundo as capacidades de cada um, sem deixar ninguém de fora. Preenche todos os seres humanos com bondade, misericórdia, amor, e confia que cada um use esses dons largamente, para fazê-los frutificar na própria vida. A chave, portanto, está no modo como cada um se relaciona com Deus, o senhor dos empregados da parábola.
Quem imagina que Deus seja severo, com medo acaba enterrando os dons e fica sem nada. Tem medo de arriscar e imagina que agradará a Deus simplesmente devolvendo-lhe o que recebeu. No Reinado do Deus de Jesus, no entanto, conta a fé em um Deus que é bom e nos agracia com seus dons. Conta a coragem de arriscar, para viver relações que superem a lógica do “toma lá, dá cá”. O que significa dizer que, de nossa parte, no Reino conta o que oferecemos a Deus como frutos de seus dons.
Vale um alerta sobre a leitura fundamentalista dessa parábola, tão comum hoje, segundo a qual os talentos são bens materiais e dinheiro. É leitura que trai o Evangelho, por considerar que Deus premia os que buscam multiplicar sempre mais as próprias riquezas, tirando dos que têm pouco até o pouco que têm. Vale lembrar que, nos Evangelhos, o único a oferecer riqueza como horizonte de vida foi o diabo a Jesus, no episódio das tentações. E Jesus simplesmente rejeitou a teologia da prosperidade, da retribuição e do mérito.
No entanto, podemos fazer outra leitura, alinhada com a vida e a missão de Jesus, considerando os talentos como bens materiais e dinheiro. Nela, o homem da parábola não seria Deus, mas um patrão realmente severo e cruel, que obriga os empregados a multiplicar suas riquezas. Neste caso, os cristãos são convidados a agir como aquele empregado que, conhecendo a ganância do patrão por dinheiro, se recusa a participar de seus planos egoístas. No Reino, então, conta o testemunho de quem resiste, não se conformando com um sistema em que uns poucos enriquecem sempre mais, à custa do empobrecimento da grande maioria.
Pe. Paulo Bazaglia, ssp

É um periódico que tem a missão de colaborar na animação das comunidades cristãs em seus momentos de celebração eucarística. Ele é composto pelas leituras litúrgicas de cada domingo, uma proposta de oração eucarística, cantos próprios e adequados para cada parte da missa e duas colunas, uma reflete sobre o evangelho do dia e a outra sobre temas relacionados à vida da Igreja.
Assinar