06 de Setembro – 23º DOMINGO DO TEMPO COMUM | Paulus Editora

O Domingo
06 de Setembro – 23º DOMINGO DO TEMPO COMUM

ENCONTRO DE CORAÇÕES

O Evangelho de hoje (Mt 18,15-20) oferece uma espécie de mapa ou roteiro para a vida em co­munidade, culminando no poder da oração nascida de um “acordo”.

A palavra “acordo” transcende o mero consentimento; ela nos remete à raiz latina cor (coração), definindo “concordar” como “união de corações”. Concordar é ter os corações em sinto­nia, entrelaçados numa sinfonia per­meada de sentido e grandeza de alma.

O caminho para essa sinfonia co­meça na correção fraterna (v. 15-18), que poderia ser comparada ao ofício de afinar um instrumento em desar­monia com os outros instrumentos da orquestra. “Se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coi­sa que quiserem pedir, isto vos será concedido por meu Pai que está nos céus” (v. 19).

Estar de acordo é permitir que os corações se toquem, numa entrega mútua. Essa entrega ecoa no convite litúrgico: “Corações ao alto”. Ao elevar­mos os corações a Deus, superamos toda divisão. Deus é a união perfeita. O contrário é diabolôs – aquele que divide.

Estar de acordo é como uma sin­fonia divina, que, ao “soar junto” com nossa humanidade frágil, ecoa a von­tade de Deus e torna a comunidade verdadeira orquestra: “um só coração e uma só alma” (Atos 4,32).

Ao superarmos as ofensas, trans­formamo-nos em uma orquestra coe­sa. Essa sinfonia de corações faz nos­sos olhos brilhar e a melodia ressoa em nosso peito, onde Cristo se manifesta: “eu estou ali, no meio deles” (v. 20).

A sinfonia não é tão somente um pacto, mas a entrega mútua que nos lança no mesmo horizonte de sentido. Daí a prece em comum tornar-se a voz da Trindade. Essa experiência de uni­dade viva é o milagre: o céu se inclina quando nossa existência se funde na oração.

A liturgia de hoje, portanto, infun­de em nós uma esperança serena: o esforço pela reconciliação jamais é em vão. Quando as feridas são trata­das e os corações se unem, a graça da presença divina inunda o ambiente. A unidade fraterna é o palco mais sagra­do onde o poder do Senhor se revela. Deus nos ajude!

Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp


O Domingo

É um periódico que tem a missão de colaborar na animação das comunidades cristãs em seus momentos de celebração eucarística. Ele é composto pelas leituras litúrgicas de cada domingo, uma proposta de oração eucarística, cantos próprios e adequados para cada parte da missa e duas colunas, uma reflete sobre o evangelho do dia e a outra sobre temas relacionados à vida da Igreja.

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