UM PROGRAMA PROFÉTICO
Iniciando a atividade pública, Jesus apresenta o programa de sua missão. Depois de proclamar o texto do profeta Isaías (61,1-2) em Cafarnaum, ele faz a “homilia”, assim breve: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que vocês acabaram de ouvir”. Com poucas palavras, Jesus assume o papel do Messias-Profeta anunciado por Isaías.
O programa de ação de Jesus consiste em anunciar a boa notícia aos pobres, proclamando libertação aos que estão presos, visão aos que estão cegos, liberdade aos que estão oprimidos. Ao assumir essa missão profética, Jesus declara o ano jubilar da graça de Deus, um ano para que as dívidas e pecados sejam perdoados e as injustiças reparadas.
Jesus é consagrado, vem da parte de Deus, e vem para libertar. Ele bem sabe que não pode haver liberdade verdadeira com a fome, a miséria, a doença, a prisão. Seu programa de vida vai se tornando realidade com suas ações, acendendo e alimentando a esperança nos pobres e sofredores.
O Messias-Profeta continua entre nós e conta conosco para que o “ano da graça” de Deus seja não apenas uma esperança distante, mas realidade concreta, nas conquistas de liberdade e vida em favor dos pobres.
Jesus deixou claro que o evangelho é boa notícia de libertação para os pobres e injustiçados. Não é uma mensagem genérica que serve tanto para dar “conforto espiritual” aos que vivem na miséria quanto para apaziguar a consciência dos que exploram a miséria alheia em benefício próprio.
Jesus age com a força do Espírito Santo. O mesmo Espírito que o fortaleceu em sua missão terrena está em nós, animando e encorajando nossa missão. Qual é, afinal, nosso projeto de vida? Como e a quem estamos levando a boa notícia de Jesus?
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“As reivindicações sociais, que têm a ver com (…) a inclusão social dos pobres e os direitos humanos, não podem ser sufocadas com o pretexto de construir um consenso de escritório ou uma paz efêmera para uma minoria feliz. A dignidade da pessoa humana e o bem comum estão por cima da tranquilidade de alguns que não querem renunciar aos seus privilégios. Quando estes valores são afetados, é necessária uma voz profética” (A Alegria do Evangelho, n. 218).
Pe. Paulo Bazaglia, ssp

O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.
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