Santa Clara: padroeira das comunicações sociais | Paulus Editora

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11/08/2026

Santa Clara: padroeira das comunicações sociais

Por Jennifer Silva

A proclamação de um padroeiro nunca é  fruto do acaso. Ela exprime o reconhecimento, por parte da Igreja, de uma profunda correspondência entre a vida, a missão e o testemunho de um santo e uma determinada realidade humana ou eclesial, que continuam a encontrar nesse santo uma fonte de inspiração e um modelo de vida cristã. É justamente por isso que a designação de Santa Clara de Assis como padroeira das comunicações sociais continua a suscitar uma pergunta inevitável: como uma mulher do claustro, marcada pelo silêncio e pela contemplação, tornou-se padroeira das comunicações sociais? É justamente nesse aparente paradoxo que se revela o sentido mais profundo desse reconhecimento pela Igreja. 

Breve perfil biográfico de Santa Clara 

Nascida em Assis por volta de 1193, Clara pertencia a uma família nobre. O encontro com São Francisco transformou profundamente sua vida e a levou a renunciar aos privilégios de sua condição para abraçar uma existência marcada pela pobreza, pela oração e pela vida fraterna. Fundadora da Ordem das Damas Pobres, mais tarde conhecidas como Clarissas, ela fez do silêncio, da contemplação e da escuta da Palavra o centro de sua vocação.  Faleceu em 11 de agosto de 1253 e foi canonizada apenas dois anos depois, em 15 de agosto de 1255, pelo Papa Alexandre IV, reconhecimento da profunda marca espiritual deixada por sua vida. 

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Santa Clara: do milagre da visão ao patronato das comunicações sociais 

O título de padroeira das comunicações sociais encontra sua origem em um episódio da tradição clariana. Nos últimos anos de sua existência, já gravemente enferma e impossibilitada de deixar o mosteiro de São Damião para participar da celebração litúrgica do Natal, Clara teria acompanhado, de maneira extraordinária, a liturgia celebrada na igreja, vendo e ouvindo tudo como se ali estivesse presente.

Foi precisamente inspirando-se nesse episódio conhecido como o “milagre da visão” que o Papa Pio XII,  por meio da Carta Apostólica Clarius explendescit, de 21 de agosto de 1958, proclamou Santa Clara padroeira celeste da televisão. 

Com o desenvolvimento posterior da reflexão da Igreja sobre os meios de comunicação, o significado desse patronato foi ampliado para o campo das comunicações sociais. Santa Clara deixou de ser vista apenas como uma referência ligada a um meio específico, para tornar-se uma inspiração mais ampla para todos aqueles que trabalham na comunicação a serviço da verdade, da dignidade humana e da comunhão. 

Entretanto, restringir esse reconhecimento ao aspecto milagroso seria reduzir a riqueza de seu significado. O patronato de Santa Clara  remete a uma compreensão mais ampla da missão das comunicações sociais: aproximar pessoas e comunidades separadas pela distância , levar a Palavra de Deus àqueles que não podem estar presentes nas celebrações litúrgicas e colocar os recursos técnicos a serviço da dignidade humana e da comunhão entre as pessoas. 

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