31. Livro do Eclesiástico | Paulus Editora

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10/09/2021

31. Livro do Eclesiástico

Por Nilo Luza

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O livro recebe o nome de Eclesiástico por ser usado na catequese da Igreja (ecclesia). Também é conhecido como Sirácida, devido ao nome do autor (Jesus Ben Sirac). O livro foi escrito originalmente em hebraico, por volta de 180 a.C., na Palestina, época de grande influência da cultura grega. Nós conhecemos a tradução para o grego, feita pelo neto do autor, em torno de 130 a.C. Por ter chegado até nós em grego, é considerado deuterocanônico (não faz parte da Bíblia Hebraica).

É o único livro dos sapienciais que conhecemos o autor. Ele mesmo se apresenta como Jesus Ben Sirac (Jesus filho de Sirá). Grande sábio da comunidade de Jerusalém após o exílio, o autor dedicou-se ao estudo da Lei, dos Profetas e dos Escritos, reunindo suas reflexões para a formação de jovens e para todos os que procuram a instrução. Sirá transmitia a sabedoria que recolhia no estudo da Escritura, na própria experiência de vida e em contato com a sabedoria de outras culturas e tradições. Homem culto, inteligente e fiel à tradição.

Chegou à conclusão de que o modo de vida de Israel era superior à cultura dos gregos. Jerusalém é considerado o grande centro da sabedoria e não Atenas. Com isso, o autor quer mostrar ao povo judeu que não precisa se deixar contaminar pelo helenismo, pois o povo judeu tem seus próprios costumes e sua cultura.

Podemos dividir o livro do Eclesiástico em cinco partes: O prólogo não pertence propriamente ao livro, foi acrescentado pelo tradutor do hebraico para o grego. Apresenta informações sobre o autor (Jesus Ben Sirá), sobre o livro, as dificuldades e o motivo do seu trabalho. Convida para a leitura das reflexões do seu avô.

Primeira parte (1-24): Dedica-se a tecer elogios à sabedoria, que vem de Deus. São diversas sentenças, à moda de provérbios, sobre dois temas principais: a sabedoria, que é dom de Deus a quem ama e vive segundo sua vontade, e o temor de Deus, que não significa medo diante de Deus, mas é a consciência de ser criatura de Deus. Além disso, apresenta deveres para com os pais, para com os pobres; temas da amizade, da prudência, da liberdade e da humildade; a função criadora de Deus: ordena, divide e organiza. O capítulo 24 apresenta um poema, tecendo bonito elogio à sabedoria e seus vínculos com a Lei.

Segunda parte (25-43): Formada por uma coleção de sentenças e ensinamentos diversos, semelhante à parte anterior, tais como: anciãos, mulheres, homem piedoso, empréstimos e esmola, os filhos, o luto, o trabalho, a grandeza de Deus. Traz uma coleção de sentenças proverbiais e diversos ensinamentos sobre a obediência à Lei, como caminho de sabedoria, concluindo com um poema que louva a sabedoria de Deus na criação.

Terceira parte (44-50): Talvez a mais estruturada, o livro se dedica a reler a história de Israel, fazendo elogio aos antepassados. Identifica a sabedoria com a Lei dada ao povo no monte Sinai. Traz uma visão da história de Israel, segundo o pensamento dos judeus do século segundo a.C. O centro desse pensamento é a obediência aos mandamentos e a fidelidade à aliança com Deus. Israel tem seus próprios heróis, não precisa buscá-los entre os gregos ou outros povos.

Epílogo (51), em forma de ação de graças, é composto por dois salmos ou poemas: hino de louvor pela libertação dos perigos e um salmo alfabético sobre a sabedoria.

Ao ler este livro, precisamos ter certos cuidados, pois transparecem alguns preconceitos machistas, principalmente em relação à mulher. Desconsidera o fato de que “homem e mulher” foram criados à imagem e semelhança de Deus. Sua visão da mulher é bastante conservadora, influenciado da época em que viveu.

O tema do temor de Deus domina ao longo do livro. Está muito ligado com a questão da sabedoria. Para o autor, o temor de Deus é o fundamento e a prática da sabedoria. O temor de Deus consiste num compromisso com o Deus do êxodo, um Deus que caminha com seu povo para libertá-lo das escravidões.

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