22. Primeiro livro dos Macabeus | Paulus Editora

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08/12/2020

22. Primeiro livro dos Macabeus

Por Nilo Luza

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Temos mais dois livros com mesmo nome: 1 Macabeus e 2 Macabeus. O título dos livros deriva do apelido de “Macabeu” dado a Judas, filho mais famoso de Matatias. Segundo alguns, “Macabeu” significa “martelo” (aquele que golpeia o inimigo) ou “mão de martelo” (devido a um defeito físico). Esses dois livros são “deuterocanônicos”, livros que não constam na Bíblia Hebraica.

O primeiro livro dos Macabeus apresenta os acontecimentos sob a liderança dos três filhos de Matatias: Judas, Jônatas e Simão Macabeus. Esse período abrange os anos 175-134 a.C. O livro foi escrito no início do primeiro século antes de Cristo, por volta de 100-70 a.C. É uma teologia da história a partir da resistência da família de Matatias. O livro quer manter vivos os ideais de liberdade e os valores do judaísmo defendidos pelos Macabeus. Traz a história de luta e esperança em busca de liberdade e reconquista da terra, a exemplo de Josué. As lutas e revoltas têm caráter libertador contra os gregos, apoiados por parte da elite judaica. O livro pode ser dividido conforme a atuação das principais personagens.

Primeira parte (1-2): os dominadores e a revolta de Matatias. O livro inicia mostrando a passagem do domínio persa subjugado pelos gregos. Antíoco Epífanes, rebento ímpio, age de forma opressiva e impõe à força os costumes gregos aos judeus. Com isso, ele provoca a reação de Matatias e seus três filhos. O principal motivo da resistência foi a profanação do templo e da cidade de Jerusalém. Alguns simpatizantes juntam-se à família de Matatias. Antes de morrer, Matatias incentiva seus filhos a permanecerem firmes em suas convicções judaicas.

Segunda parte (3,1-9,22): a maior parte do livro está concentrada a descrever a atuação de Judas, apelidado macabeu, filho de Matatias e grande líder militar. Depois dos elogios de sua valentia, o autor descreve os vários relatos de guerra, com várias vitórias e com a derrota que o levou à morte. Durante sua atuação, Judas consegue purificar o templo e conquistar a liberdade para os judeus. Esse talvez tenha sido o maior êxito militar de Judas. Em seguida, celebram uma festa de oito dias, a Festa da Dedicação (conhecida como Hanucá), celebrada todos os anos pelos judeus. Judeus e romanos aliam-se para uma ajuda mútua. Essa aliança se revelou funesta. Na última batalha, Judas enfrentou um adversário poderoso e acabou derrotado e morto.

Terceira parte (9,23-12,53): Jônatas Macabeu, foi sucessor de seu irmão, Judas. Jônatas revelou-se hábil e tirou proveito dos conflitos internos dos selêucidas, conseguindo autonomia e liberdade do povo. Diante dos problemas enfrentados pelos judeus, principalmente a fome que se alastra pelo país, muitos judeus aderem aos helenistas. Os partidários de Judas uniram-se a Jônatas e fugiram para o deserto. Voltando para Jerusalém, reconstroem e restauram a cidade. Jônatas é nomeado sumo sacerdote do seu povo e, mais tarde, governador de alguns distritos. Depois disso, deixa de lutar contra as nações e se preocupa em fazer alianças, para buscar apoio para seu projeto pessoal. Após um período de alianças e calmarias, Jônatas foi morto junto com seus companheiros, por acreditar num plano sedutor, mentiroso e enganador.

Última parte (13-16): depois da morte de Jônatas, seu irmão, Simão, assume o comando da luta e consegue conquistar a independência política da Judeia. Simão, último dos irmãos Macabeus, acompanhou a luta dos Macabeus desde o início e torna-se comandante, sumo sacerdote e governador. Numa placa de bronze, o povo o proclama oficialmente chefe da nação, sumo sacerdote e líder militar. Depois de bom tempo que os inimigos ocuparam a fortaleza de Jerusalém, Simão consegue expulsá-los e purifica o templo novamente. A conquista do poder e da independência revela a decadência dos selêucidas (Síria) e dos lágidas (Egito), que desejavam conquistar a região. Assim Israel ficou livre do jugo de outras nações. Simão foi morto de forma traiçoeira durante um banquete, juntamente com dois de seus filhos, Matatias e Judas. O outro filho de Simão, João Hircano, avisado em tempo, consegue evitar o atentado contra ele, com isso assume o poder no lugar de seu pai. O período de Simão foi visto pelo autor como período de paz e bem-estar para o povo da Judeia.

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