20. Livro de Judite | Paulus Editora

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09/10/2020

20. Livro de Judite

Por Nilo Luza

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O livro de Judite é mais uma novelinha interessante que se encontra em nossas Bíblias. Foi escrito por volta de 150 a.C., na Palestina, durante a guerra dos Macabeus. Tem como objetivo encorajar os judeus piedosos a permanecerem fiéis à lei e aos costumes de Israel. O autor ou autores, provavelmente, pertencem ao mesmo grupo que produziu os livros de Daniel, 1 Macabeus e a parte grega de Ester.

A ação da história se dá na cidade samaritana de Betúlia (casa de Deus), que era dominada pelo exército de Holofernes. Os judeus estão sitiados nessa cidade, sem poder receber alimentos e com água cortada. Judite, viúva jovem, bonita e esperta, consegue seduzir o comandante do exército inimigo.

O livro de Judite recupera personagens e situações do passado para falar do presente. Nabucodonosor é símbolo de Antíoco 4º Epífanes e figura do império dominante. Holofernes simboliza o poder militar dos Selêucidas.

Estamos num período difícil da dominação grega. É o momento da imposição forçada do helenismo, tempo de Antíoco 4º Epífanes, por volta de 160-150 a.C. O helenismo é o movimento de imposição da religião, dos costumes e da cultura dos gregos sobre os povos dominados.

A protagonista central da narrativa é uma mulher, Judite, “mulher judia”, símbolo de mulheres que se organizam a partir da família. Organizavam-se para resistir contra a imposição da cultura helênica durante o domínio grego. O livro de Judite pode ser dividido em duas partes:

A primeira parte (1-7) descreve as ações do exército de Nabucodonosor que tinha pretensões de conquistar o mundo, tornando-se um deus. Com seu comandante-chefe, Holofernes, conquista várias regiões, chegando até Betúlia.

Depois de dominar os povos vizinhos, Holofernes planeja conquistar também a Judeia. O povo judeu ficou sabendo e se apavora. Diante da ameaça, o povo todo clama ao Senhor e faz penitência. Um tal de Aquior procura mostrar a Holofernes que Israel está aliado a Deus, que combate em defesa do povo. Holofernes não dá atenção ao alerta de Aquior e cerca Betúlia, deixando o povo sem água e sem comida.

A segunda parte (8-16) apresenta a ação de Judite. Enquanto na primeira parte predomina o tema do medo e a presença e atuação de homens; na segunda parte predomina a beleza e a figura de uma mulher. “O medo dos assírios submete os povos, a beleza de Judite capitula os varões”. Esgotada a força masculina, entra a beleza feminina. Diante do desespero do povo, Judite procura manter a esperança e a resistência de Israel. Sai da situação de luto em que se encontrava, se embeleza e parte para seduzir os adversários.

Com esperteza e com sua beleza, Judite consegue conquistar o inimigo, Holofernes, o qual a convida para um banquete no seu palácio. Durante o banquete, Holofernes fica bêbado, ela aproveita a ocasião e se aproxima e lhe corta a cabeça. Cortar a cabeça do opressor é acabar com a ideologia que oprime, é cortar o mal pela raiz. O Senhor elimina o inimigo pela mão de uma mulher. Quando retorna à Betúlia com a cabeça do comandante-chefe, o povo convida a louvar a Deus, pois ele agiu pelas mãos de uma mulher. Ela é aclamada bendita entre as mulheres e bendito é o Senhor que libertou o povo dos seus inimigos. O livro termina com bonito cântico de Judite, reconhecendo que Deus derrota os poderosos por meio da coragem e da confiança dos fracos.

Por trás dessa narrativa transparece o tema da luta dos pobres contra o poder que oprime e marginaliza. É um livro que ilumina e alimenta a esperança do povo de Deus em busca de justiça e vida melhor. Por trás de Judite, podemos ver mulheres destemidas de ontem e de hoje que se empenham para enfrentar os desafios do dia a dia. Outro aspecto importante que emerge do livro são os valores religiosos do povo que implora a Deus e este lhe envia uma mulher para libertá-lo dos perigos.

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