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Comunicação

11/11/2014

Redes sociais digitais, valores humanos e dignidade

Por Jakson F. de Alencar

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Uma das redes sociais digitais mais usadas atualmente traz na abertura da página de cada usuário a pergunta “no que você está pensando”, algo mais adequado, certamente para uma conversa íntima entre dois ou um pequeno grupo de amigos; um divã de psicanalista ou um confessionário. Entretanto, as pessoas revelam ali, às vezes até de maneira meio frenética, sua intimidade, pensamentos, sentimentos, valores ou desvalores para 500, mil, cinco mil pessoas ou de maneira aberta a todos.

Tenho tido ultimamente a experiência de atender confissões e observo que nas redes sociais as pessoas se revelam e confessam mais seus pecados que no confessionário.

Ao confessionário, geralmente as pessoas vão contritas e piedosas, falam de pecados de ordem pessoal; sexualidade, com muita freqüência, pequenos pecados; desentendimentos familiares, ou com amigos; um pouco de preguiça; vez por outra alguma coisa mais grave.

É muito raro que apareça o pecado social, a falta de solidariedade, o preconceito, racismo, indiferença para com os mais pobres, egoísmo etc. Entretanto, nas redes sociais todas essas coisas aparecem aos montes e em tons muito elevados.

Isso chama a atenção. As pessoas escrevem agressões nas redes que talvez não tivessem coragem de dizer no face a face ou em público. Há mais facilidade de se revelar diante da tela que diante de pessoas, mas tudo que está ali se torna público de maneira mais abrangente, ofende, agride e soma forças em movimentos de aviltação da vida, de seus valores e de sua dignidade.

É comum que se façam distinções entre mundo real versus mundo virtual, mas é bom que se saiba que somos na vida on line o mesmo que somos na vida off line e vice versa.

Os ódios e agressões nas redes passam também para o dia-a-dia, mesmo que camuflados; da mesma forma que a carência de valores e de respeito ao outro passa para a comunicação digital.

A existência de tecnologias muito avançadas de comunicação não garante a superação das divisões e desrespeitos à dignidade entre os seres humanos.

As redes sociais são oportunidade de ampliar os laços humanos, criar novos e fortalecer os já existentes; são também oportunidade para difundir valores e para o cuidado com a dignidade da vida humana.

Mas têm um potencial muito forte de ir em direção contrária, dependendo do uso que se faz delas. Por isso, o papa Francisco, por meio da Mensagem para o dia mundial das Comunicações de 2014, chamou a atenção para a comunicação e o uso das redes sociais para uma “autêntica cultura do encontro”.

Essas novas tecnologias da comunicação podem favorecer o encontro, a interação e a convivência.

Mas não bastam as tecnologias e estratégias para que se garanta a beleza, a bondade e a verdade da comunicação. “Não basta circular pelas ‘estradas’ digitais”; “é necessário que a conexão seja acompanhada pelo encontro verdadeiro”. O papa apresenta como parâmetro e guia para isso a figura do bom samaritano, que cuida das feridas do homem espancado, e recomenda que a nossa luminosidade nas redes não dependa de truques e efeitos especiais, mas do nosso testemunho cristão, “de nos fazermos próximo, com amor, com ternura, de quem encontramos ferido pelo caminho”.

São importantes o cuidado e a observância para vermos se nossa presença nas redes sociais digitais está sendo coerente com os valores humanos e com os valores cristãos que professamos. Se nas “estradas digitais” ajudamos a curar feridas, se somos indiferentes a elas ou até se endossamos o aumento das feridas sociais, das divisões, injustiças, desigualdades e desrespeitos à dignidade humana.

1 comentário

16/3/2018

VALORES HUMANOS E A VIDA « Conteúdo que ajuda equilibrar trabalho e vida.

[…] 2) Redes sociais digitais, valores humanos e dignidade: Uma das redes sociais digitais mais usadas atualmente traz na abertura da página de cada usuário a pergunta “no que você está pensando”, algo mais adequado, certamente para uma conversa íntima entre 2 ou um pequeno grupo de amigos; um divã de psicanalista ou um confessionário. Entretanto, as pessoas revelam ali, às vezes até de maneira meio frenética, sua intimidade, pensamentos, sentimentos, valores ou desvalores para 500, 1.000, 5.000 pessoas ou de maneira aberta a todos. Tenho tido ultimamente a experiência de atender confissões e observo que nas redes sociais as pessoas se revelam e confessam mais seus pecados que no confessionário. Ao confessionário, geralmente as pessoas vão contritas e piedosas, falam de pecados de ordem pessoal; sexualidade, com muita freqüência, pequenos pecados; desentendimentos familiares, ou com amigos; um pouco de preguiça; vez por outra alguma coisa mais grave. É muito raro que apareça o pecado social, a falta de solidariedade, o preconceito, racismo, indiferença para com os mais pobres, egoísmo etc. Entretanto, nas redes sociais todas essas coisas aparecem aos montes e em tons muito elevados. Saiba +++ . […]