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19/05/2020

Papa pede verdade nas narrações em mensagem para o 54º Dia Mundial das Comunicações

Por Imprensa

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Precisamos respirar a verdade das histórias boas: histórias que edifiquem, e não as que destruam – Papa Francisco

Para que possas contar e fixar na memória” (Ex 10,2). A vida faz-se história é o tema da mensagem do Papa Francisco ao Dia Mundial das Comunicações Sociais, que será comemorado no próximo domingo, 24. O pontífice dedica a reflexão desse ano às narrações e faz uma abertura falando sobre a necessidade que o homem tem de histórias, especialmente de respirar verdades em cada uma delas. Ressalta a quantidade de informação que rodeia a todos a cada instante: “temos necessidade duma narração humana, que nos fale de nós mesmos e da beleza que nos habita; uma narração que saiba olhar o mundo e os acontecimentos com ternura, conte a nossa participação num tecido vivo”, diz Papa Francisco.

A mensagem está dividida em cinco partes: Tecer histórias. Nesta primeira parte, Papa Francisco diz que é inerente ao homem a necessidade de histórias: “Desde pequenos, temos fome de histórias, como a temos de alimento. Sejam elas em forma de fábula, romance, filme, canção, ou simples notícia, influenciam a nossa vida, mesmo sem termos consciência disso. Muitas vezes, decidimos aquilo que é justo ou errado com base nos personagens e histórias assimiladas. As narrativas marcam-nos, plasmam as nossas convicções e comportamentos, podem ajudar-nos a compreender e dizer quem somos”.

Em Nem todas as histórias são boas, o Papa deixa um alerta sobre algo muito contemporâneo, as fake news: “Quantas histórias nos narcotizam, convencendo-nos de que, para ser felizes, precisamos continuamente de ter, possuir, consumir. Quase não nos damos conta de quão ávidos nos tornamos de bisbilhotices e intrigas, de quanta violência e falsidade consumimos”, e encoraja os comunicadores na busca por verdades que edificam: “ Precisamos de paciência e discernimento para descobrirmos histórias que nos ajudem a não perder o fio, no meio das inúmeras lacerações de hoje; histórias que tragam à luz a verdade daquilo que somos, mesmo na heroicidade oculta do dia a dia”.

A História das histórias traz uma referência a Sagrada Escritura: “quantas vicissitudes, povos, pessoas nos apresenta! Desde o início, mostra-nos um Deus que é simultaneamente criador e narrador: de fato, pronuncia a sua Palavra e as coisas existem (cf. Gn 1). Deus, através deste seu narrar, chama à vida as coisas e, no apogeu, cria o homem e a mulher como seus livres interlocutores, geradores de história juntamente com Ele. […] Neste sentido, a Bíblia é a grande história de amor entre Deus e a humanidade. No centro, está Jesus: a sua história leva à perfeição o amor de Deus pelo homem e, ao mesmo tempo, a história de amor do homem por Deus. Assim, o homem será chamado, de geração em geração, a contar e fixar na memória os episódios mais significativos desta História de histórias: os episódios capazes de comunicar o sentido daquilo que aconteceu”.

Na penúltima parte, Uma história que se renova, o pontífice diz que todas as histórias são importantes: “não existem histórias humanas insignificantes ou pequenas. Depois que é Deus Se fez história, toda a história humana é, de certo modo, história divina. Na história de cada homem, o Pai revê a história do seu Filho descido a terra. Cada história humana tem uma dignidade incancelável. Por isso, a humanidade merece narrações que estejam à sua altura, àquela altura vertiginosa e fascinante a que Jesus a elevou”.

Na última parte Uma história que nos renova, Papa Francisco, com o exemplo de Maria, fala sobre a importância de narrarmos a Deus a nossa história: “Narrarmo-nos ao Senhor é entrar no seu olhar de amor compassivo por nós e pelos outros. A Ele podemos narrar as histórias que vivemos, levar as pessoas, confiar situações. […] Sim, porque ninguém é mero figurante no palco do mundo; a história de cada um está aberta a possibilidades de mudança. Mesmo quando narramos o mal, podemos aprender a deixar o espaço à redenção; podemos reconhecer, no meio do mal, também o dinamismo do bem e dar-lhe espaço. Por isso, não se trata de seguir as lógicas do storytelling, nem de fazer ou fazer-se publicidade, mas de fazer memória daquilo que somos aos olhos de Deus, testemunhar aquilo que o Espírito escreve nos corações, revelar a cada um que a sua história contém maravilhas estupendas”.