A MANSIDÃO: UM DESAFIO PARA HOJE
Falar de mansidão, atualmente, parece fora de moda; é como puxar um assunto entediante. Porque a realidade que nos cerca aponta para outras direções, sugere atitudes contrárias à mansidão. Basta considerar as notícias que, a todo instante, invadem nossos olhos e o cérebro. As impiedosas guerras seguem engolindo vidas humanas e destruindo estruturas materiais, edificadas com muito esforço e recursos. Os noticiários continuam nos mostrando a violência contra as mulheres: vidas ceifadas por motivos banais, injustificáveis. Vemos grupos vivendo em mansões de luxo, com dinheiro obtido à força e por meios ilícitos, desonestos. Nesse universo perverso e aterrador, insere-se ainda a exploração de crianças, as pupilas dos olhos de nosso Senhor.
Como viver a virtude da mansidão nesse contexto cruel, que mais nos empurra para a violência e o desânimo? Onde cavar forças e convicção bastante, para manter-nos calmos e fiéis ao nosso Mestre Jesus, “manso e humilde de coração”?
Comecemos por reconhecer as posturas que Jesus adotou ao longo de sua vida. Viveu pobre e sem ambição. Ganhou o pão de cada dia com o suor do seu rosto, seja na carpintaria, seja nas longas caminhadas, anunciando o Reino de Deus. Alimentava as multidões famintas e abandonadas, que mais pareciam “ovelhas sem pastor”. Acudia a todos: doentes, pecadores, homens e mulheres. Ensinava-os com firmeza a respeito do Reino e da misericórdia do Pai celeste. Recebia os pobres, sem fechar a porta ao rico Zaqueu. Tanto atendeu ao pedido do oficial romano quanto ao clamor da mulher cananeia, ambos pagãos. Não se negou a dialogar com os enviados pela classe dominante, embora viessem com más intenções. Finalmente, na cruz, Jesus abriu o céu a um dos crucificados, deu importante recado à sua mãe e perdoou aos seus algozes. Dedicação total para tornar o mundo melhor.
Este é, em rápidas pinceladas, um retrato do nosso Mestre e modelo, Jesus Cristo, a quem nos cabe imitar se quisermos oferecer ao mundo um pouco de mansidão. Pressupõe-se que precisamos nos converter a fim de assumir seriamente essa proposta cristã. Por causa de nossa insuficiência, recorramos à graça divina: “Ó Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso!”
Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp

O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.
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