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Comunicação

30/07/2014

Notícias e construção da realidade

Por Jakson F. de Alencar

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Embora haja de maneira difusa na sociedade a ideia de que os meios de comunicação “manipulam” as notícias ou que exercem grande influência na realidade, continua sendo muito comum que a população não perceba as manipulações e suas formas e se deixem impactar fortemente pelo que é tematizado na mídia. Mesmo com a desconfiança que há em relação aos noticiários em geral permanece a percepção deles como sendo uma reprodução da realidade, uma narração dos fatos tais como eles são.

Mas os noticiários não apenas reproduzem o que está na realidade, dão os direcionamentos, conforme as ideologias dos empresários de comunicação a que os meios pertencem, procurando direcionar o debate social e as decisões para que favoreçam seus interesses e dos setores sociais a que pertencem.

Essas formas de direcionamento não consistem apenas nos enviesamentos e formas de narrar os fatos, mas desde as escolhas de quais fatos noticiar, a duração e o espaço dado a cada um ou a falta de espaço para outros; a persistência no mesmo tema de modo a fixá-lo mais no debate público e nas decisões sociais. Por exemplo, vemos em alguns noticiários que um mesmo tema ocupa espaço desproporcional, às vezes tomando metade do tempo do telejornal em vários dias e sendo abordado muitos dias seguidos. Para alguns temas também todos os principais meios de comunicação em pool fazem essa abordagem com tempo e espaço exagerados. Enquanto isso muitos outros temas são silenciados. Isso não acontece por acaso, os critérios de escolha são os direcionamentos ideológicos do veículo de comunicação e interesses que estão por trás.

Os estudiosos de comunicação desenvolveram diversas teorias na compreensão da tematização das notícias e dos efeitos dessa tematização a médio e a longo prazo.

Por exemplo a teoria chamada agenda setting, versa sobre a forma como os meios de comunicação agendam o debate social, as conversas nos mais diversos grupos a partir dos temas que escolhem para dar destaque em seus noticiários. Outra teoria, a espiral do silêncio, indica que os meios de comunicação tendem a dar mais espaço a opiniões dominantes ou que desejem que se tornem dominantes, reforçando-as, forjando consensos e contribuindo para “calar” opiniões diferentes a respeito ou silenciando outros temas. A teoria gatekeeping (guarda de portão) trata das decisões dos meios de comunicação como uma espécie de guarda sobre o que entra ou não no noticiário, hierarquizando e estabelecendo prioridades temáticas, exercendo grande poder sobre a definição dos temas de destaque que permitirão a formação da opinião pública e sua mobilização para a tomada de decisões.

Todas essas estratégias de comunicação de fato exercem força sobre a opinião pública, as eleições e decisões políticas, as iniciativas ou falta de iniciativas governamentais e sociais. Portanto quando os meios de comunicação falam dos problemas sociais, das falhas na política e coisas do gênero culpando apenas os governantes, escondem uma responsabilidade própria sobre sua participação em todos esses processos ao longo da história.

Como cristãos e agentes de pastoral é importante que estejamos atentos a essas estratégias, não embarcar ingenuamente nos mesmos temas escolhidos pelos meios de comunicação, pois, por trás deles podem estar interesses escusos que não condizem com os valores cristãos que professamos.

Bem como ocultados pelos temas escolhidos pelos empresários dos meios de comunicação há outros temas que precisamos profeticamente trazer à tona; bem como faz parte da missão cristã defender e promover uma comunicação social no país e no mundo que seja democrática, justa e que dê espaço às visões de mundo de todos os estratos sociais e não apenas de alguns empresários que são donos quase absolutos do poder de comunicação.

4/8/2014

Sergio

É preciso muito discernimento. Cito duas revistas. Carta Capital e Veja. Enquanto a primeira pinta em belíssimas cores o governo atual, a segunda demoniza-o!