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Comunicação

15/04/2015

Não bastam as tecnologias de comunicação para criar comunicação e proximidade

Por Jakson F. de Alencar

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Há muitas previsões utópicas e ufanistas sobre as novas tecnologias da comunicação, como se fossem capazes de nos fazer próximos e solidários de toda a humanidade. Na perspectiva do famoso teórico da comunicação Marshal McLuhan, por exemplo, os novos meios nos possibilitariam “incluir toda a humanidade em nós”: “nós vivemos miticamente e integralmente (…) na era da eletricidade, quando o nosso sistema nervoso central é tecnologicamente estendido para incluir toda a humanidade e para incorporar toda a humanidade em nós, nós necessariamente participamos nas consequências de todas as nossas ações”. (Understanding media: p.4).

Entretanto, mesmo dentro de um único país ou de uma cidade, há partes, classes ou bairros que não incluem ou incorporam os outros, sobretudo as periferias; há gritante indiferença; partes que permanecem lá como se não existissem e que são silenciadas, fechamentos atrás de muros, condomínios fechados e similares.

É comum também atualmente que seja mais fácil comunicar-se com quem está longe que com os vizinhos, ou que as pessoas saibam o que se passa do outro lado do mundo, mas não na rua ao lado.

Na verdade, também não há a consciência de que “participamos nas consequências de todas as nossas ações”. Apenas uma pequena parcela da humanidade tem consciência disso. No mais, países que bombardeiam outros ou promovem crises financeiras em outros e também em situações menores e em posicionamentos políticos, econômicos e sociais egoístas e mesquinhos não há a consciência de que as consequências agem sobre quem não é atingido diretamente no momento.

Mesmo com as mais avançadas tecnologias de comunicação, infelizmente às pessoas são muito pouco abertas aos outros, longe do que se imaginou utopicamente.

E as distâncias continuam moldando as emoções e relacionamentos muito mais do que se acredita. Ter informação, mesmo que ampla e sólida, sobre alguma parte do mundo é diferente do contato físico e afetivo. E não se pode esquecer que muita informação que se tem sobre outros lugares do mundo é esparsa, pontual e fragmentada e há muita opacidade e desconhecimento.

As pessoas tendem a interagir, confiar e se importar mais com quem está próximo. Quando a distância aumenta a conexão diminui. Isso influi muito no uso de internet, redes sociais e outras formas de comunicação. Conforme Dominique Wolton, mesmo que fossem distribuídos computadores e internet para os bilhões de pessoas que não os tem no mundo, que correspondem a dois terços da humanidade (cerca de 4 bilhões) isso não bastaria para estabelecer comunicação entre elas, criar intercompreensão, pontos de vista comuns, solidariedade e superação das divisões (É preciso salvar a comunicação, p. 17).

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