
Na segunda-feira, 11, a PAULUS Social promoveu o primeiro seminário de 2026 sobre Educação Permanente no Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Com o tema Instrumentalização de Gestores para a Efetiva Implementação, o encontro reuniu cerca de 200 participantes na Faculdade PAULUS de Comunicação, localizada no bairro da Vila Mariana, em São Paulo.
A programação contou com a participação de especialistas na temática e representantes de instituições como o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o Espaço Público do Aprender Social e os Conselhos Municipais de Assistência Social de São Paulo e de Salvador (BA).
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Mediador do seminário, o gerente da PAULUS Social, Alessandro Tiezzi, destacou a importância de promover debates voltados à implementação da Educação Permanente no SUAS. Segundo ele, “ao reunir especialistas em Educação Permanente e trabalhadores do Sistema Único de Assistência Social, dialogamos sobre um tema fundamental para que esse processo aconteça de forma qualificada nos serviços do SUAS em todo o País”.
Ao abordar o papel da Educação Permanente no Sistema Único de Assistência Social, Marcelo Tourinho, gerente de Gestão do SUAS em Salvador (BA), afirmou que o processo não deve ser compreendido como um elemento complementar, mas como um eixo estruturante para a efetivação dessa política pública.
Segundo Marcelo, a Educação Permanente possibilita ampliar os padrões de qualidade dos serviços, investir na formação dos recursos humanos, valorizar os trabalhadores e fortalecer a assistência social como política pública de Estado.
“Nós precisamos investir cada vez mais recursos, tempo e planejamento para desenvolver uma educação permanente que contemple a territorialidade, as questões regionais e fortaleça a execução do SUAS, seja na proteção básica, na especial, no CRAS, no CREAS, nos serviços de acolhimento, no atendimento à população em situação de rua e aos públicos prioritários. Dessa forma, poderemos qualificar a oferta do SUAS à população e consolidar a importância que o Sistema Único tem para o Brasil”, pontuou Marcelo.

Representando a Secretaria Nacional de Assistência Social, Marcílio Marquesini, coordenador-geral de Gestão do Trabalho e Educação Permanente, apresentou aos participantes o processo de construção do plano, as ações de monitoramento e as estratégias de financiamento da política pública no âmbito do SUAS.
Segundo ele, a participação da secretaria em espaços de debate contribui para ampliar a compreensão sobre a Educação Permanente entre as entidades socioassistenciais, fortalecendo sua implementação como estratégia concreta para o desenvolvimento da política pública.
Já o presidente do Conselho Municipal de Assistência Social de São Paulo, Refferson Lima, destacou que a Educação Permanente no SUAS está diretamente ligada ao fortalecimento do controle social.
“Sem sombra de dúvidas, o debate sobre controle social se estrutura a partir da construção dos conselhos municipais, com o apoio da sociedade civil e do poder público. Aprimorar essa construção conjunta e conectada é algo potencializado pela Educação Permanente”, afirmou.
Refferson também ressaltou que a formação contínua contribui para o aprimoramento técnico dos profissionais e para o fortalecimento das instâncias de participação social.
“Como conselheiro, trabalhador do SUAS, representante do poder público e participante das discussões técnicas da pasta, não tenho dúvidas de que a Educação Permanente promove avanços importantes no conhecimento, no aprimoramento das atividades e na qualificação do nosso trabalho de modo geral”, frisou.

Coordenador pedagógico do Espaço Público do Aprender Social (ESPASO), Ademar Sartori, ressaltou a relevância do seminário ao reunir profissionais de diferentes municípios e áreas complementares à assistência social, como saúde e educação.
Segundo ele, a Educação Permanente é um elemento fundamental para a execução do SUAS e está presente em todas as políticas da assistência social, da proteção básica à alta complexidade.
“Quando reunimos trabalhadores e trabalhadoras de diferentes políticas para dialogar e refletir sobre as dificuldades e insuficiências relacionadas à Educação Permanente, conseguimos transformar discussões abstratas em ações concretas para fortalecer a Política Nacional de Educação Permanente, tanto no âmbito estadual quanto no municipal”, destacou.

A pesquisadora Stela Ferreira, diretora técnica do grupo educacional Vira e Mexe, foi um das palestrantes e destacou que a Educação Permanente é essencial para enfrentar os desafios complexos presentes no cotidiano da assistência social.
“Os desafios que encontramos no trabalho diário exigem múltiplas capacidades e conhecimentos. A Educação Permanente é uma estratégia que amplia o aprendizado e, sobretudo, possibilita aplicar esse conhecimento nas situações práticas do serviço, da gestão e dos conselhos, garantindo cada vez mais o direito da população à assistência social”, afirmou.
Também entre os palestrantes, Marisa Accioly, do curso de Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (USP), enfatizou a importância da participação das universidades nos debates sobre Educação Permanente no SUAS.
Segundo ela, as instituições de ensino têm papel fundamental na produção e compartilhamento de conhecimento qualificado e atualizado para fortalecer os serviços socioassistenciais.
“Participar de espaços como esse é uma forma de a universidade devolver à sociedade o conhecimento que produz, contribuindo para a formação permanente de profissionais e usuários”, explicou.
Concluindo a tarde de palestras, o professor Carlos Ferrari, secretário-executivo do Coletivo Rendas Brasil, Rede Nacional de Defesa e Assessoramento no SUAS, abordou durante o seminário o papel do assessoramento, da defesa e da garantia de direitos no contexto da Política Nacional de Educação Permanente.
“Discutimos a importância da participação da sociedade civil para ampliar a produção de conhecimento, fortalecer a capilaridade das ações e potencializar o desenvolvimento da política tanto em áreas urbanas quanto rurais. Para além dos aspectos normativos, é essencial haver disposição coletiva para que essa rede seja mobilizada, articulada e fortalecida”, concluiu.