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Comunicação

25/04/2014

Mídia Coronelista

Por Jakson F. de Alencar

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A imprensa brasileira critica com muita veemência, o famigerado “coronelismo” nordestino. Entretanto, a mesma imprensa se esquece de fazer autocrítica e de ver que ela própria é fortemente coronelista, não na mesma amplitude de cidades nordestinas do interior, mas, o que é pior, em amplitude nacional. O primeiro sinal disso é que o grosso da imprensa nacional, que domina a informação no país, pertence a seis famílias, uma versão ampliada das famílias dos antigos coronéis.

Essa mídia é coronelista enquanto usa o poder para influenciar e manipular os destinos políticos e econômicos do país, para perpetuar o status quo, quando escolhe candidatos e faz tudo o que pode para que a população os eleja, um procedimento semelhante ao dos coronéis. Quando faz tudo o que está a seu alcance para impedir a distribuição de renda, a verdadeira reforma política e tributária. Ou seja de forma retrógrada, pouco ou nada esclarecida e reflexiva, não republicana e antidemocrática, em vez de favorecer o desenvolvimento do país o atravanca.

Não se faz injustiça ao apontar isso na mídia brasileira, também não é exagero; as provas estão nas manchetes e textos que todos os dias ela nos apresenta. Exemplos de coronelismo midiático não faltam e alguns se tornaram clássicos: a oposição ao governo Getúlio Vargas, aos direitos trabalhistas e ao nacionalismo promovido por ele; a ferrenha oposição a Juscelino Kubitschek; o apoio ao golpe militar e à ditadura que promoveu arrocho salarial durante 20 anos; o ocultamento da campanha pelas eleições diretas; a eleição de Fernando Collor, em grande parte creditada à Globo, mas na qual toda a grande mídia embarcou; a edição fraudulenta do Jornal Nacional do último debate da eleição de 1989 entre Collor e Lula; nessa mesma eleição a fraude desse telejornal ao creditar a Lula e ao PT o sequestro do empresário Abílio Diniz, às vésperas da eleição. Atualmente a ferrenha oposição aos governos Lula e Dilma, aos programas sociais e de redistribuição de renda, a amplificação de tudo o que de negativo possa encontrar nesses governos, às vezes incorrendo em falseamentos da realidade, bem como a ocultação das realizações e dos aspectos positivos.

Como diz o escritor Rubem Alves, o ser humano tem mania de transformar em verdades idiotices que são muito repetidas. E assim a maioria do país acreditou que Collor era o caçador de marajás, o salvador da pátria exatamente como foi propalado na mídia. Cotidianamente vemos as pessoas acreditando em outras idiotices propaladas na mídia, dentre estas as afirmações de que a copa de 2014 é uma “desgraça” ou “tragédia” para o Brasil, como falou o editorial de um jornal de maior circulação nacional.

Certamente as críticas são boas para fazer qualquer governo manter a linha e trabalhar para melhorar. O que é questionável é a virulência que chega a transformar fatos positivos em negativos ou a abafar os positivos. Tudo isso em contraste com a grande benevolência para com o governos de direita com os quais a grande mídia simpatiza e a enormes casos de corrupção ou má gestão desses governos. Por exemplo, certamente uma crítica equilibrada ao governo de Geraldo Alckmin em São Paulo, teria contribuído para um melhor desempenho de seu governo, chamado a atenção para pontos fracos, alertando em relação a posturas equivocadas, como a falta de investimentos no metrô e no sistema de abastecimento de água da capital que, atualmente corre o risco de um colapso devido a 20 anos sem investimentos para ampliação. Com uma imprensa de qualidade, sem distorções ou enviesamentos partidários os governos se beneficiam porque são melhor fiscalizados, mas, sobretudo beneficia-se o país e a população. Entrentato, como a mídia brasileira é propriedade e sustentáculo de poderes retrógrados, ela se porta como os antigos coronéis apoiando maus políticos e tentando impedir melhor democratização do país e transformações sociais, de forma a manterem o poder em suas mãos.

O coronelismo midiático aliado a políticos retrógrados criam mecanismos para perpetuar a desigualdade social no país, formam uma simbiose que dificulta o aprimoramento político e a distribuição da renda nacional. Com isso, todos perdem, inclusive a própria mídia, que joga fora a possibilidade de formar novos leitores e espectadores entre os que hoje não têm condições financeiras de assinar revistas e jornais ou de comprar os produtos que a TV e o rádio anunciam, e poderiam fazê-lo se a renda do país fosse melhor distribuída. A mídia perde também credibilidade subestimando a inteligência de seus usuários, pois o cidadão esclarecido, ao ver as manipulações grosseiras, percebe que está sendo subestimado, que o julgam incapaz de perceber esse jogo rasteiro.

10 comentários

25/4/2014

Araújo

Governos "de direita"??? Que piada! Num país dominado por uma esquerda jurássica, que apois ditaduras comunistas como a de Cuba e governos autoritários como os do Irã, da Venezuela e de Angola ... Ademais, não sei de que o colunista reclama. A grande mídia critica muitos os governos petistas??? Só pode ser brincadeira. Com raras exceções, o que se vê são as redações de grandes jornais, revistas e tvs contaminadas de esquerdismo chapa branca. Veja-se o que aconteceu com a jornalista do SBT, CENSURADA por esse governo estúpido que aí est´´a, simplesmente por não opiniar segundo a cartilha governista. Enquanto isso, os dois maiores jornais de São Paulo despejam lixo esquerdista, como se pode ver na "cobertura" do aniversãrio do movimento militar de 64. Falar nisso, arrocho salarial maior que o desse governo petista nunca houve e olhe que os governos anteriores tiveram que lidar com inflações galopantes. Quanto a esse governo petista Lula/Dilma - o mais corrupto de toda a história brasileira - pegou uma inflação controlada e, mesmo arrochando os salários, o país não cresce a níveis significativos e agora experimenta a ameaça de a inflação se descontrolar. A mídia, dita "coronelista", pouco abordou e informou ao povo de eventos escandalosos como o Mensalão e, mais recente, essa absurda rede de corrupção na Petrobras. Lembro-me que no tempo do regime militar, a esquerdalha comunista vivia de acusar políticos "de direita" de serem entreguistas. Soa tão cômico, agora, diante dessa transação com a refinaria de Pasadena (sem esquecer a nacionalização dos gasoutos brasileiros pelo comunistóide da Bolívia, aplaudida e consentida por Lula).

30/4/2014

Sergio

Mas o que fazer? Fazer o que querem os partidos de esquerda? "Democratizar" a mídia? E "democratizar" a mídia, para um esquerdista significa censurar toda a dissidência. Sempre foi assim na Rússia, China, Cambodja e Cuba. Por que agora seria diferente? Quais são os benefícios para um governo socialista ter a mídia amordaçada?

2/5/2014

Pedro

Você é um evangelizador ou um defensor cego do PT? Saiba que o material publicado por vossa editora tem alcance entre os cristãos conscientes e não somente entre os petistas fanáticos e cegos... portanto, você está comprometendo sua editora quando usa as publicações como mídia petista.

9/5/2014

João Rafael

O senhor defende partidos socialistas! portanto, um farsante comunista que está excomungado pela Santa Igreja! Traidor! Vá pedir perdão a Deus! Impressionante, vivemos uma verdadeira apostasia!

9/5/2014

Jakson Alencar

Caros João Rafael, Pedro, Sergio, Araújo, em primeiro lugar agradeço por terem comentado. A internet permite a publicação das opiniões as mais diversas e é importante que as pessoas participem e externem seus pontos de vista. Porém é comum que vejamos discussões na internet que ao invés de diálogo resvalam na agressivididade Ser democrático significa ser tolerante com quem pensa diferente; é, mesmo que não se concorde, permitir que os outros expressem seus pontos de vista. Por isso respeito suas opiniões e espero que respeitem as minhas. Embora eu tenha dado alguns exemplos relativos ao PT e ao governo Lula e Dilma, devido á atualidade, vejam que há no artigo também referências a Getúlio Vargas e Juscelino, que não foram do PT e governaram quando nem existia PT. Embora seja preferível da minha parte evitar temas polêmicos para publicação no site da Paulus, a relação entre comunicação e política é um tema muito importante para o bem do povo. Não tocar no tema pode significar omissão e é difícil abordar o tema sem tocar em coisas polêmicas. A mídia brasileira tem martelado que democratizar a comunicação é coisa de "ditadura comunista", por isso é comum que isso esteja na cabeça das pessoas, como se percebe nos comentários de vocês. Na verdade não é coisa de ditadura comunista ou de qualquer ditadura. Qualquer ditadura é ruim, as comunistas foram ruins igualmente. E nenhuma ditadura democratiza coisa alguma, muito menos comunicação. Leis que garantam democratização da comunicação, pluralidade de opiniões, pluralidade de manifestações culturais via mídia são vigentes, ao contrário, nas democracias mais desenvolvidas do mundo e de países ricos, como França, Inglaterra, Alemanha, Espanha, EUA... É terrível que nossa mídia oculte isso das pessoas. Regulações desses tipos servem inclusive para garantir qualidade dos meios de comunicação, evitar apelação sexual beirando ao pornográfico em horário de criança tá na frente da televisão, violência, sensacionalismo de toda sorte. A IGREJA DESDE SEMPRE TEM SE PREOCUPADO COM A QUALIDADE DA COMUNICAÇÃO E FEITO O QUE ESTÁ A SEU ALCANCE PARA COLABORAR PARA QUE ESTA RESPEITE VALORES, PRINCÍPIOS, QUE SEJA DEMOCRÁTICA E QUE AS PESSOAS TENHAM DIREITO DE SE COMUNICAR. PORTANTO ESSE NÃO É UM TEMA DO PT É UM TEMA DE TODA A SOCIEDADE, INCLUSIVE A IGREJA. Muitas vezes também a Igreja e os papas têm demonstrado sua preocupação com questões sociais, com a superação da pobreza e da miséria, com os direitos dos trabalhadores. Isso não é assunto de comunista, É EVANGELHO DE JESUS CRISTO. A evangelização, desde Jesus Cristo inclui questões sociais, preocupação com os pobres, com a justiça social. A salvação é eterna, mas também inclui as coisas do dia-a-dia da nossa história, não é uma coisa etérea. Em grande medida Jesus foi perseguido, acusado, condenado e crucificado porque denunciava as injustiças dos poderosos de seu tempo, e fazia coisas que minavam seu poder. A política bem exercida é uma forma muito eficaz de caridade, a participação cidadão e cristã na política e a exigência de políticas públicas também, inclusive exigência de políticas públicas de comunicação. Nossos bispos afirmam, no Documento CNBB 67, que "a política é forma sublime de exercer a caridade". O Papa Paulo VI, nos anos 60, já nos ensinava que a Política é a mais perfeita forma de vivermos o mandamento do Amor". O Amor liberta, partilha, constrói, promove a vida. Assim, a Política - bem comum, justiça social, distribuição de renda, qualidade de vida, ética, emprego e salário, é o Amor concretizado, vivenciado na prática, transformado em realidade. Todas essas questões são muito amplas e complexas, requerem aprofundamento e empenho de leitura e estudo para não ficarmos apenas repetindo o fla x flu da mídia entre PT e anti PT.

9/5/2014

Jakson Alencar

Caros leitor e leitora, vamos tomando consciência de que nossa fé precis ser consciente, atuante, transformadora e construtora da História. "Não existe fé autêntica sem um consequente compromisso social". (Puebla).

13/5/2014

Jakson Alencar

PARTILHO UM ARTIGO MUITO ELUCIDATIVO SOBRE ESSA TEMÁTICA, ESCRITO POR ANA LÚCIA SORRENTINO: vale a pena ler este artigo da Ana Lucia Sorrentino. No domingo de Páscoa entrei no Facebook e me deparei com uma charge que resumiu de uma só vez tudo o que vem me aborrecendo terrivelmente já há um bom tempo: Jesus, ao centro, dizendo que multiplicara pães e peixes e dera aos famintos. Ao seu redor, uma turma de revoltados o chamava de comunista, de assistencialista, de populista e de “petralha”. Referiam-se aos famintos como “vagabundos” e gritavam contra o “bolsa-esmola”, defendendo o ensino da pesca em lugar da doação de peixe. Por fim, mandavam Jesus ir para Cuba. Acima da imagem, a frase: “Será que um dia a ficha cai?”. Desde que comecei a postar sobre o que me agrada na esquerda, vira e mexe alguém invade o meu mural usando exatamente essas palavras para combater minha defesa de um mundo menos desigual. Seus “argumentos” vão de xingamentos a gargalhadas, que acabo deletando sumariamente, porque não há diálogo possível nesses termos. Tenho me perguntado todos os dias sobre o real motivo desse desproporcional ódio ao PT e à esquerda, porque jamais senti isso com tanta intensidade como no último ano. À medida que as eleições se aproximam, a animosidade contra o PT se recrudesce de forma assustadora. Os que têm manifestado seu ódio tentam, muitas vezes, justificar sua sistemática oposição ao governo recorrendo aos episódios de corrupção que nada têm de diferente dos de governos anteriores, senão o fato de que quando o acusado é petista a lei é moldada artificialmente com o objetivo de mandá-lo para a cadeia, enquanto acusados direitistas se safam, até porque os julgamentos são tão adiados que os crimes prescrevem. Mas estou me convencendo de que o grande pedregulho no sapato de quem odeia o PT é a redistribuição de renda. O olhar especial que o PT tem para os mais pobres e seu esforço para diminuir a imensa e doentia desigualdade que vivemos. Passei meu domingo de Páscoa entre cristãos. Clima de confraternização em meio à prosperidade. Orações, agradecimentos, fartura. Em certo momento escutei um militante da direita dizer que “agora era torcer pro Brasil perder a Copa, porque só o povo estando muito aborrecido com uma derrota na Copa pra não votar na Dilma”. Considerei isso uma clara declaração de que o atual governo é muito bem sucedido. Paradoxalmente, mais tarde, alguém citou um artigo da Veja, demonstrando preocupação com a “terrível situação do Brasil”. Não pude me conter: - Não leia a Veja, por favor. – pedi. Mas eu quis saber qual seria, exatamente, a “terrível situação do Brasil”, porque não me parecia que estavam se referindo ao Brasil em que vivo. De mais a mais, se a situação do Brasil fosse tão terrível assim, não seria preciso perder a Copa para o povo não votar na Dilma... Iniciou-se aí uma conversa que enveredou por um caminho tortuoso de citações duvidosas de fatos substancialmente irrelevantes que tentavam desenhar uma realidade que eu não reconhecia. E que, por fim, me levou à inevitável pergunta: “mas, afinal, o que piorou na vida de vocês nos últimos dez, onze anos?” Silêncio. Que alguém quebrou expressando pleno repúdio a “todo e qualquer tipo de bolsa”. Por quê? – perguntei. As pessoas em geral acham injusto o governo cobrar impostos dos mais afortunados e redirecioná-los a miseráveis. E todas as vezes em que converso sobre isso percebo que quase ninguém tem consciência do que é “estar abaixo da linha da miséria”. Apoiam-se em casos pontuais de declarações infelizes dadas a jornais tendenciosos sobre o bolsa-família “não dar nem pra comprar um jeans pra minha filha” e desconsideram completamente que há gente que passa fome. E que quando alguém não tem o que comer, não tem força nem para pensar em trabalhar. Quanto mais para ir à escola, evoluir, aprender um ofício, procurar um emprego. Para aprender a pescar é preciso ter força para segurar a vara. Para frequentar uma escola é preciso ter algo para comer e algo para vestir. No mínimo. Quando falo sobre isso sinto que há uma enorme refratariedade no ar. Talvez porque só consigamos ter empatia pelo que está muito perto de nós, não sei. Talvez porque alguém da classe média consiga sentir mais dó de alguém que não tem dinheiro para comprar um tênis de marca do que de alguém que não tenha um naco de pão pra comer. Porque esta última realidade está tão distante da sua que o reconhecimento é difícil. Me intriga especialmente o repúdio de cristãos à redistribuição de renda. Porque se alguém tem Cristo como seu líder espiritual e se o idolatra como exemplo de bondade e caridade, qual a lógica desse mesmo alguém refutar tanto a ideia de que a riqueza deve ser minimamente redistribuída? Questionaram-me sobre se acho certo os impostos cobrados dos mais ricos serem transferidos para os mais pobres. Sim, acho. Acho certa toda e qualquer ação que redistribua renda. Perguntaram-me se acredito que o governo está fazendo isso. Sim, acredito. Cada vez que se cobra mais impostos de ricos e menos de pobres, se distribui renda. Cada vez que se aumenta o custo de serviços públicos para bairros nobres e se diminui para a periferia, se distribui renda. Cada vez que se direciona impostos que os mais ricos pagam para beneficiar os mais pobres com o bolsa-família, bolsa-escola e outros programas do mesmo tipo, o governo está redistribuindo renda. Mas parece-me que as pessoas não entendem um ponto crucial desses programas: quando se redistribui renda, não é apenas o miserável que está sendo beneficiado. TODOS estamos sendo beneficiados. Porque o governo está não só possibilitando ao pobre que se alimente, frequente uma escola, procure um emprego, etc., mas está transformando-o em um consumidor. Está injetando dinheiro no mercado. Aquele que até então não podia comprar comida para alimentar sua família, ou roupa, ou seja lá o que for, passa a fazê-lo. E quando vai às compras está movimentando a economia. Isso é garantia de que o dono do mercado ou da loja venderá mais, conseguirá manter seu estabelecimento funcionando, precisará de mais empregados para ajudá-lo e poderá consumir mais também. Esse empresário pagará seus impostos e eles serão novamente redirecionados e assim cria-se um ciclo de mais prosperidade. Além disso, aquele que recebe o benefício sai de uma situação da qual jamais sairia se não recebesse alguma ajuda, porque sabemos muito bem que quanto menos se tem, menos chance de sair dessa situação se tem também. Ninguém, ou quase ninguém, dá emprego a um mendigo. Em última instância, se for pra sermos altruístas egoístas, temos que concordar que um mendigo a menos, um assaltante a menos, um flanelinha a menos nas ruas sempre representará uma melhoria nas vidas de todos nós. Também já escutei, algumas vezes, que esse dinheiro que é entregue às famílias pobres acaba não sendo usado para os fins a que se destina. Que a mulher que o recebe entrega-o ao marido para que ele vá beber no bar. Mas esses programas têm mecanismos de controle que conseguem, ao menos em parte, cobrar dos beneficiados aquilo que ficou acordado. E, se em casos pontuais o marido for beber no bar, ainda assim ele estará consumindo, ou seja, injetando dinheiro na economia. Claro que não é o ideal, mas também não é o que ocorre massivamente. Outra crítica que sempre ouço sobre as políticas de transferência de renda é de que elas produzem pessoas acomodadas, que se habituam a receber dinheiro do governo e passam a não querer trabalhar. Eu não sei exatamente quais os parâmetros que as pessoas têm para afirmar tal coisa. Mas, para mim, é absolutamente inimaginável acreditar que alguém que receba, digamos, R$70,00 do governo para, assim, completar uma renda mensal de R$140,00, possa suprir todas as suas necessidades com isso, a ponto de não querer mais trabalhar. Para mim, soa como piada. De mais a mais, embora o governo não estipule prazo determinado para recebimento dos benefícios, mais de 1,7 milhão de famílias já devolveu o cartão espontaneamente, o que vai contra a tese de que o governo está criando vagabundos. Por fim, me perguntaram o porquê da ausência desses que defendem o bolsa-família em ações como distribuição de café da manhã ou sopão aos mendigos, pelas ruas da cidade. Eu respondi que acredito que quando se trabalha em prol de um programa como o bolsa-família se faz muito mais do que isso. E quando cheguei à minha casa, metabolizando tudo o que havia sido conversado nesse domingo cristão, lembrei de uma frase de Paulo Freire que diz com mais precisão o que eu queria dizer: “Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade.” Nasci, cresci, e virei mulher vendo a elite só lembrar de que os pobres existem quando precisa deles para lhe prestar serviços a preços módicos ou quando tem que, forçosamente, se deparar de frente com eles. Hoje, com as trocas de opiniões nas redes sociais, percebe-se claramente o quanto a elite está incomodada por ver uma hierarquia de subjugação solidamente alicerçada pelo capital sair da zona de conforto e ter que se repensar. A educação, a inclusão, a informação mais acessível a todos e a consciência da cidadania são fatores que vêm competir com o simples poder aquisitivo. E isso se conquistou com um governo de esquerda. Quero crer que apenas a ignorância possa explicar essa resistência em enxergar que um mundo menos desigual seria mais confortável para todos. Se não for por ignorância, o que explicaria isso? Tenho medo de pensar em outra resposta. Ana Lucia Sorrentino

13/5/2014

Jakson Alencar

O Papa Francisco também falou coisas desse tipo e ele não é nem petista nem comunista. Olha o que ele falou em audiência no Vaticano: “Para mim, os pecados da mídia, os maiores, são aqueles que seguem pelo caminho da mentira e são três: a desinformação, a calúnia e a difamação”. "A desinformação é dizer as coisas pela metade, aquilo que é mais conveniente. Assim, aquele que vê televisão ou ouve rádio não pode ter uma opinião porque não possui os elementos necessários".

15/5/2014

Valdecir

A maior parte dos comentários em reação ao artigo do Jackson são do tipo "argumentum ad hominem". Atacam a pessoa do articulista, ao invés de discutir as ideias expostas. Ademais, baseiam-se em chavões e clichês como "este é o governo mais corrupto da história", "comunista" e outros.

20/6/2014

Sergio

Um interessante editorial do ESTADÃO sobre a regulação da mídia: http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,o-pt-e-a-regulacao-da-midia-imp-,1514002