Março, mês de São José | Paulus Editora

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Religião e Comunicação

09/03/2026

Março, mês de São José

Por Darlei Zanon

Já tentou imaginar o que São José nos contaria se um dia rompesse o silêncio que o caracteriza nas Escrituras e na Tradição? Foi exatamente esse exercício de criatividade e imaginação que tentei fazer e apresento na obra “Simplesmente José”.

Nessa narrativa em forma de romance histórico, José é o protagonista que nos conduz pela sua vida e missão. O carpinteiro de Nazaré abre o seu coração e descreve cada uma das suas experiências, o que viu e sentiu em cada momento da sua vida: sua infância, o primeiro encontro com Maria, o florescer de uma paixão, os questionamentos ao descobrir que ela estava grávida, a alegria de acompanhar o parto do menino Jesus, as incertezas e descobertas ao receber a visita de pastores, magos e anjos, a dor e sofrimento ao longo do caminho para o Egito e durante os anos que ali passou, as surpresas e encantos do menino que crescia sob o seu olhar e proteção… Enfim, uma vida de escuta mais do que silêncio, plena de entrega, de ação e doação, de revelações e delicadezas.

“Simplesmente José” nasceu com o objetivo de mostrar o rosto extremamente humano de José, próximo de cada um de nós, de cada pai de família, de cada esposo, de cada filho… Um santo com o qual podemos nos identificar e que pode nos inspirar. Um José que se diverte quando criança, se apaixona na adolescência, se preocupa e se emociona na vida adulta… Um José que se alegra e sofre. Que sente medo, mas confia. Que não entende, mas escuta e obedece. Um José humilde e simples, ao mesmo tempo profundo, corajoso, atento aos sinais divinos e humanos. Um José que ama e porque ama alimenta relações profundas: com os avós, pais, irmãos, amigos, com Maria e Jesus, com Deus. Talvez este seja o centro de toda a narrativa: as diversas formas de amar de José, a sua entrega plena às relações.

Quis proporcionar ao leitor uma experiência de imersão na vida de José. Por isso optei por descrever longamente os lugares que fizeram parte da sua existência e as experiências que José certamente fez ao longo da sua história, momentos que os evangelhos e outras fontes apenas acenam mas não descrevem. O leitor é convidado a viver cada um desses momentos a partir do olhar de José, que passa a ser protagonista e não um mero coadjuvante.

Quis proporcionar ao leitor também uma imersão na cultura e religiosidade do tempo de Jesus e José. Por isso mantenho muitos termos em hebraico, como os meses do ano, o nome das festas, lugares, objetos etc. José é um judeu típico do seu tempo, fiel a Deus e à tradição. Queria que isso fosse bem presente na narrativa. Um glossário no final do livro é importante para fazer o paralelo com a atualidade para os que desejarem.

Outra intenção da narrativa é mostrar a importância da família e das relações familiares. Procurei explorar isso através dos diferentes personagens e dos diversos diálogos. Estamos num tempo que se relativiza o valor da família, por isso é bom reforçar a sua centralidade na vida humana. A família de Nazaré é sempre apresentada pela Igreja como modelo, mas muitas vezes um modelo idealizado, distante, impossível de se alcançar. Neste livro procurei mostrar uma Sagrada Família mais “humana”, próxima, real, concreta. Uma família que sofre como todas as famílias de hoje, mas que ao mesmo tempo confia e obedece, que não se acomoda, que constrói a sua história. Uma família que vive intensamente cada situação, cada sentimento, cada experiência. Jesus é em parte fruto desta família, das experiências que teve na sua infância. Por isso vez ou outra procuro inserir algum elemento que evoca ou cria relação com a futura “vida pública” de Jesus como nos apresenta os evangelhos, por exemplo a amizade com a família de Betânia, a sua primeira experiência em uma vinha etc.

Ligados à família, são desenvolvidos muitos outros valores como fé, união, amizade, trabalho, doação etc. José não é um simples protetor de Jesus, ele é pai, e como todo pai ensina muitas coisas ao seu filho. Do mesmo modo é verdadeiro esposo de Maria, e com ela vive as inúmeras experiências de um casal. Nas entrelinhas da narrativa são inseridos diversos elementos da doutrina e da teologia, assim como procuro propor reflexões sobre alguns elementos centrais da vida humana e da espiritualidade cristã.

“Simplesmente José” se propõe a responder algumas questões sobre a vida do santo carpinteiro de Nazaré, mas sobretudo provoca muitas outras interrogações que normalmente nos passam despercebidas na vida de um santo que é extremamente humano. Um homem que sente medo, angústias, dúvidas, mas que também se alegra, ama, encontra a realização como ser humano, como esposo e como pai.

Uma leitura particularmente indicada para melhor vivermos o mês de São José, para nos surpreendermos e encantarmos ainda mais com a vida do pai adotivo de Jesus.

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