Dica de leitura: Josefina Bakhita: O coração nos martelava no peito | Paulus Editora

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12/05/2021

Dica de leitura: Josefina Bakhita: O coração nos martelava no peito

Por Imprensa

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Em 13 de maio de 1888, ocorria no Brasil a Abolição da escravatura. O evento foi resultado de um esforço pela aprovação do decreto da Lei Áurea, que colocou fim à escravidão no Brasil. A data do dia 13 de maio é carregada de significados e lutas de um povo que durante anos foi escravizado e destituído de sua liberdade. Este episódio da história do país ficou eternamente marcado por meio dos movimentos abolicionistas da época e, diante da pressão popular, a Lei Áurea foi aprovada com a assinatura da regente do Brasil, a princesa Isabel.

Com o fim do trabalho escravo, o povo negro foi aos poucos reescrevendo a sua história. Contudo, muito foram as marcas deixadas pela escravidão durante os séculos XVI e XIX, vidas foram tiradas e o avanço de uma cultura excludente que ainda perdura na atualidade. Muitas são as pessoas que sofrem algum tipo de preconceito e discriminação pela cor de sua pele. Entretanto, houve muitos homens e mulheres que fizeram da escravidão e exclusão social um motivo de resistência e luta por aquilo que acreditavam.

Entre tantas histórias, a PAULUS destaca a obra “Josefina Bakhita: O coração nos martelava no peito – Diário de uma escrava que se tornou santa”, escrita e organizada por Roberto Ítalo Zanini. Este livro conta a história de uma escrava que se tornou santa e foi considerada símbolo da mulher forte que não se deixa abater por sua condição.  Bakhita, cujo nome significa “afortunada”, nasceu no Sudão, na África em 1869, teve uma vida repleta de humilhações, sofrimentos físicos e morais da escravidão, sendo por vezes vendida e comprada pelos mercadores de escravos. Entre idas e vindas, foi finalmente comprada por um cônsul italiano, que mais tarde a levou consigo para a Itália.

Em terras italianas, tornou-se babá da filha de um casal. Em meio às mudanças, a jovem foi enviada para um mosteiro da Congregação de Santa Madalena de Canossa, onde passou a viver com as religiosas. Em 1890, aos 20 anos, foi batizada e recebeu o nome religioso de Josefina. No dia 8 de dezembro de 1896, Bakhita recebeu o hábito e oficializou sua permanência na ordem das Irmãs Canossianas, dedicando-se durante anos às diversas ocupações na congregação, sendo chamada por todos de “Irmã Morena”.

Josefina Bakhita ficou conhecida por sua bondade, humildade, sorriso constante, generosidade e amor por Jesus Eucarístico, sobretudo, por seu serviço social junto aos pobres e desamparados. Diante de inúmeros sofrimentos em seu tempo como escrava, Bakhita não perdeu a esperança por dias tranquilos e serenos. “Enquanto escrava, nunca me desesperei, porque sentia dentro de mim uma força misteriosa que me sustentava. Estive mergulhada na lama, porém nunca me sujei. Por graça de Deus fui sempre preservada. Nossa Senhora me protegeu, ainda que eu não a conhecesse”, trecho retirado do capítulo de Pensamentos de Bakhita.

Com a idade, surgiram as doenças do corpo e Irmã Josefina Bakhita faleceu no convento canossiano no dia 8 de fevereiro de 1947, aos 78 anos de idade. Em 1969, seu corpo foi encontrado incorrupto e foi sepultado na Igreja do convento.  Josefina Bakhita foi beatificada em 1992 e canonizada em Roma, pelo Papa São João Paulo II, em outubro de 2000.

Josefina Bakhita, o coração nos martelava no peito: diário de uma escrava que se tornou santa

“Uma pérola negra, africana, está incrustada na coroa da glória de Deus. Bakhita é para nós todos o testemunho dos mais doces atributos de Deus: o seu fiel e eterno amor, a sua misericórdia e compaixão, a sua infinita bondade. Bakhita, precisamente para nós, fala da absoluta liberdade de Deus nas suas escolhas, com preferência privilegiada pelos pobres e humildes. A vida de Bakhita, antes no Sudão, depois na Itália, é a história do amor de Deus que salva e redime, que ergue do monturo os pobres, para fazê-los assentar-se entre os grandes do seu povo. Ela nos ajuda a iluminar o mistério pascal: o mistério da grande passagem da morte para a vida, da escravidão para a liberdade, do desespero para a esperança.” Cardeal Gabriel Zubier Wako, arcebispo de Cartum, Sudão. Saiba mais!