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Comunicação

26/06/2014

A Igreja: desde sempre sociedade em rede

Por Jakson F. de Alencar

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É comum ouvirmos falar que a Igreja precisa entrar na sociedade em rede ou questiona-se quais os impactos dessas redes sociais sobre a Igreja.

Não nos esqueçamos que a Igreja já nasceu em rede. O grupo formado por Jesus foi uma rede social que se expandia com outros seguidores.

Após a morte e ressurreição de Jesus foram formando-se redes de comunidades, redes de ministérios em constante expansão e modelação, como mostram as narrativas dos Atos dos Apóstolos e das cartas de São Paulo. A Igreja foi constituída como rede social, com características de horizontalidade. Por exemplo, no capítulo 12 da primeira carta aos Coríntios São Paulo descreve a Igreja de forma belíssima como um corpo formado por muitos membros, no qual todos são importantes e não podem se achar mais importantes que os outros. O que é isso senão uma rede social? Depois no decurso do tempo a Igreja se verticalizou mais, tendendo a concentrar as decisões em muitos âmbitos nas mãos de uma única pessoa. Mas essa tendência não a impediu de continuar sendo uma rede. O Concílio Vaticano II quis voltar a fortalecer mais a horizontalidade. E hoje tem-se cada vez mais consciência disso e volta-se a enfatizar as paróquias como redes de comunidades.

Portanto, se de fato é necessário a Igreja participar das redes sociais mediadas por computador, aumentando suas possibilidades de comunicação e interação, é também muito importante fortalecer a configuração da Igreja toda como rede, resgatando elementos muito interessantes das comunidades iniciais da fé cristã que foram se enfraquecendo com os altos e baixos da história.

A comunicação na Igreja, para ser eficaz, não pode limitar-se apenas ao uso de tecnologias ou à criação de grupos especificamente dedicados à pastoral da comunicação.

Ela passa pela concepção de Deus e de Revelação que se tem, pelas posturas da instituição, das autoridades, das lideranças. Passa pela aplicação da racionalidade comunicativa na constituição dos discursos, documentos, diretrizes, planos de pastoral em geral e nas decisões em todas as instâncias, desde as macroeclesiais até as paróquias, as congregações, os pequenos grupos de pastoral. Usar as mais novas e potentes tecnologias para transmitir comunicados em forma de “pacotes fechados” que sejam os, que não levem em consideração o senso conjunto dos fiéis, seus argumentos e anseios de participar, pode produzir alguns efeitos. Mas certamente serão menores do que se o uso dessas tecnologias for imbuído de autêntico desejo de interagir com o público, fazendo-o também participante da mensagem e não mero espectador.

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